REENCARNAÇÃO E MEMÓRIA (Jorge Hessen)
Na máxima
"nascer, morrer, renascer e progredir, incessantemente, tal é a lei",
encontramos o mais arrazoado pensamento universal sobre o processo da evolução
humana.
Historicamente,
apesar de o Clero lutar contra a doutrina das múltiplas existências,
principalmente a partir do II Concílio de Constantinopla, realizado em 525,
convocado pelo Imperador Justiniano, que proibiu o estudo do tema; com a
institucionalização do Papado em 607, pelo Imperador Focas; com a criação do
Tribunal do "Santo Ofício" em 1231, para combater, exclusivamente, os
Cátharos ou Albigenses, reencarnacionistas que viviam no sul da França; os
dominicanos foram convocados, pelo então Papa Gregório IX, para dizimá-los e,
com eles, a doutrina palingenésica, a despeito disso tudo, a reencarnação
continua sendo o mais legítimo mecanismo de aplicação dos Códigos da Justiça
Divina entre os homens.
Somente a
pluralidade das existências explica as diferenças individuais, que, desde
sempre, desafiam as mentes mais críticas e meticulosas dos homens de ciência.
Conhecendo e
entendendo os mecanismos da reencarnação, tornam-se claras e explicáveis as
intrincadas perquirições, que teimam em permanecer obscuras, ante os açodados
argumentos daqueles que não se dão ao trabalho de observar os fatos que a
comprovam, mesmo porque, contra as evidências não há o que argumentar. A
exemplo disso, vemos crianças e jovens portando patrimônio moral e intelectivo
que seriam impossíveis terem sido adquiridos em um período de tempo de apenas
uma só existência física.
"Por
que o espírito encarnado perde a lembrança do seu passado?" Indaga Kardec
aos Espíritos, que o esclarecem: "O homem não pode e nem deve tudo saber;
Deus o quer assim em sua sabedoria. Sem o véu que lhe cobre certas coisas,
ficaria deslumbrado, como aquele que passa, sem transição, da obscuridade à
luz. Pelo esquecimento do passado ele é mais ele - mesmo". (1)
Seja na
confirmação de que João Batista era Elias, ou na inesquecível lição para o
doutor Nicodemos, o Divino Mestre confirmou que só nascendo novamente
compreenderemos as coisas de Deus. É a Lei da Evolução!
Na estrutura
psicossomática, a memória tudo registra e, pelo mecanismo da criptomnésia, (2)
são guardadas as conquistas da própria memória, conservando, momentaneamente
apagadas, as lembranças de outras experiências reencarnatórias, o que não
significa dizer que não se pode ter acesso a esses acervos de forma espontânea
ou provocada.
Não está
sendo em vão a grande contribuição científica de vários profissionais das áreas
de medicina e psicologia, que publicam livros, relatando experiências de vidas
passadas, que transcendem ao monolítico e conservador rito academicista, sem
afrontarem os Códigos de Ética dos Conselhos Regionais.
Graças ao
hipnotismo, várias contribuições criptóides foram catalogadas. Com as
experiências de regressão da memória, finalmente, foi possível comprovar,
cientificamente, a reencarnação.
O físico
francês Patrick Drouot pesquisa esses assuntos com a autoridade de quem se
formou na Universidade de Nancy e fez doutorado em física teórica pela
conceituada Universidade de Colúmbia, em Nova Iorque, e, ao presidir o
Instituto de Pesquisas Físicas e da Consciência, em Paris, já tem catalogado
mais de cinco mil casos de regressão.
Erlandur
Haraldsson, professor de psicologia da Universidade de Iceland, e vários
pesquisadores psiquiatras americanos, revelaram, cientificamente, que a
reencarnação é um fato consumado, graças aos processos de mergulho no
armazenamento psíquico das vidas anteriores onde tudo está registrado.
Hellen
Wambach, que já fez 4500 pessoas regredirem na memória, fez pesquisa com uma
senhora de 43 anos, cega de nascença, que descreveu ambientes da antiga Roma na
época em que era esposa de um soldado. Ela foi capaz de falar, com toda
precisão, das cadeiras, mesa, cama, das expressões faciais dos que a rodeavam,
das luzes e das cores. Aliás, todos esses detalhes foram, historicamente,
devidamente comprovados, segundo afirmou o Dr. James Pareyko, professor de
Filosofia da Universidade Estadual de Chicago. Pareyko atesta que tal tipo de
percepção, numa pessoa que já nasceu sem enxergar, é inexplicável sob o ponto
de vista médico.
Sem nos
desviarmos para fazer um comentário sobre as teses Junguianas do
"mágico" inconsciente coletivo, por onde uma pessoa poderia
sintonizar com qualquer faixa desse mecanismo e receber todo tipo de impressão,
passada ou presente, só para ilustrar essa improcedência teórica, atentemos
para uma explicação que, no mínimo, parece uma fábula: - quando uma criança
européia passou a falar chinês arcaico e a se recordar de uma vida passada, foi
considerado, como explicação, o fato de a sua mãe, durante a gestação, ter
vivido próxima a uma lavanderia chinesa e "provavelmente", ter
captado, pelo seu inconsciente coletivo, todo aquele conhecimento da língua
asiática. Acreditem se quiserem!
"Em
resumo, o Espiritismo é hoje um fato consumado; ele já conquistou o seu lugar
na opinião pública e entre as doutrinas filosóficas; é pois preciso que
aqueles, a quem ele não convém, se resignem a vê-lo ao seu lado, restando-lhes
a liberdade de recusá-lo". (3)
FONTES:
1 - Kardec
,Allan. O livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB , 2001, Perg. 392
2 -
Criptomnésia sf (cripto+mnese+ia1) = Memória subconsciente. Disponível no site
acesso em 27-05-08
3 - Kardec
,Allan. O que é o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 39ª Edição, pg.122