quarta-feira, 14 de maio de 2025

 

Reflexões sobre a Saúde Mental e a Valor da Vida

Temos percebido, infelizmente, um aumento considerável de suicídios, inclusive entre jovens. Esse fenômeno exige uma análise aprofundada para que possamos entender suas causas e buscar formas de revertê-lo. Afinal, o que leva tantas pessoas a desistirem de viver?

Sabemos que todos enfrentamos desafios ao longo da vida, muitas vezes trazendo dor. A dor é inevitável, mas sua intensidade e impacto variam de pessoa para pessoa. Não há como medir esse sentimento, que é profundamente subjetivo.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada 40 segundos, uma pessoa comete suicídio. E, após a pandemia, esse número aumentou significativamente, inclusive entre crianças e adolescentes. Vivemos na era tecnológica, onde jovens parecem nascer com facilidade de manipular dispositivos digitais. Eles aprendem rapidamente a navegar por essas ferramentas, eu estou sempre a  solicitá-los  para meu auxílio.

Apesar de as tecnologias facilitarem nossas vidas, é fundamental usá-las com cuidado e atenção. Assim como uma enxada, que é uma ferramenta essencial na agricultura, a tecnologia pode se tornar uma arma perigosa nas mãos de pessoas desavisadas ou mal-intencionadas. Na internet, tudo se mistura — anúncios, vídeos falsos, notícias mentirosas. Devemos buscar sempre a verdade por trás das informações e usar o discernimento, lembrando que, como dizia Freud, "nunca tenha certeza de nada, porque a sabedoria começa com a dúvida." Essas ilusões podem  levar muitos jovens a desejos ilusórios.

Devemos tomar muito cuidado com certos jogos que exigem o cumprimento de metas, como foi o caso da Baleia Azul no passado. Recentemente, uma jovem faleceu por uso de aerossol, o que é extremamente preocupante. Os pais precisam estar atentos ao que seus filhos estão fazendo, especialmente porque muitas vezes eles ficam trancados em seus quartos. Embora pareça algo inofensivo, esses jogos podem não só transformar os jovens em vítimas de perigosos desafios, mas também expô-los ao assédio. Muitas vezes, esses casos levam ao suicídio, devido à chantagem e intimidação. É fundamental que os responsáveis estejam atentos e orientem seus filhos sobre esses riscos.

É importante compreender que o que leva alguém a isso geralmente é uma dor emocional intensa, uma sensação de sofrimento insuportável que precisa ser aliviada. Muitas vezes, os fatores que desenvolvem transtornos mentais, como depressão, incluem perdas, desemprego, baixa autoestima, bullying ou abusos de qualquer tipo. Segundo a OMS, cerca de 90% dos suicídios poderiam ser evitados se identificados e tratados precocemente.

Para prevenir esses episódios, é essencial:

·         Observar sinais de sofrimento emocional;

·         Garantir acesso a serviços de saúde mental de qualidade;

·         Construir redes de apoio dentro de famílias, escolas, locais de trabalho e na comunidade;

·         Promover a educação sobre inteligência emocional desde a infância, ajudando as pessoas a conhecerem melhor suas emoções e a buscar ajuda quando necessário;

·         Combater preconceitos e estigmas associados às doenças mentais, facilitando o acesso ao tratamento.

Na visão espírita, também se destaca a importância do entendimento da imortalidade da alma. Não adianta fugir do problema, pois outro maior nos espera do outro lado da vida. A encarnação deve ser vista como uma oportunidade de crescimento e aprendizado, e não como uma punição. Buscar a cura, o apoio, o diálogo e a fé ajudam a superar momentos difíceis. Jesus, considerado o maior psicoterapeuta da humanidade, é uma fonte de esperança e apoio para aqueles que buscam auxílio.

Ter fé e acreditar que tudo passa nos fortalece. Essa compreensão ajuda a transformar dificuldades em oportunidades de aprendizado.

Posso compartilhar minha experiência pessoal: já enfrentei depressão, mas consegui sair dessa fase ao buscar ajuda e entender o motivo do meu sofrimento. Descobri que minha insatisfação com o trabalho era um gatilho importante. Mudei minha situação, e isso fez toda a diferença — inclusive realizando minha primeira exposição internacional como artista plástica, saindo da zona de conforto.

Nada é fácil, mas tudo tem um propósito. O otimismo, a fé e a esperança são essenciais, como dizia Chico Xavier: "Quando me envolvo com a dor do próximo, a minha parece muito menor."

A família é fundamental nesse enfrentamento. O acolhimento, o amor e o carinho fazem toda a diferença para quem está passando por crises emocionais. Não devemos pensar que depressão é uma simples fraqueza ou frescura; ela é, na verdade, uma das maiores causas de desistência de vidas humanas.

Lembre-se sempre: a vida é o maior bem que Deus nos deu. Sua beleza está na possibilidade de mudança — podemos reescrever nossa história. Valorizar a vida é, sem dúvida, a melhor escolha. Viver é sempre a melhor opção!

Sandra Fiore

segunda-feira, 12 de maio de 2025

 

      Pedagogia da Alma

Vivemos tempos desafiadores, marcados por uma profunda inversão de valores. O superficial é exaltado, enquanto o essencial — o ser — é frequentemente negligenciado. No entanto, é justamente o cultivo do nosso verdadeiro ser que mais se faz necessário, para reencontrarmos nossa essência e darmos sentido à existência.

Tornou-se comum o desejo de ser “influencer”, de ocupar as redes sociais com um estilo de vida muitas vezes ilusório — ostentando carros de luxo, roupas de grife, viagens deslumbrantes a destinos paradisíacos. Essa tendência tem provocado, especialmente entre os que carecem de amadurecimento espiritual, sentimentos de inveja, frustração e inferioridade. Crescem os casos de baixa autoestima, depressão, ansiedade — males que brotam do desejo de alcançar algo distante da própria realidade. Esses sonhos não são impossíveis, é verdade, mas é preciso compreender que conquistas legítimas envolvem esforço, dedicação e, acima de tudo, merecimento aos olhos do Pai.

A tecnologia, sem dúvida, é um avanço notável. A inteligência artificial e tantas outras inovações vieram para facilitar nossas vidas. Contudo, como qualquer ferramenta, quando mal utilizada, pode causar danos profundos.

Lembro-me com clareza de quando estudar era um esforço reconhecido, e conquistar um diploma era motivo de festa para toda a família. Hoje, muitos buscam caminhos aparentemente mais fáceis — ser jogador, cantor, celebridade digital — acreditando que a fama e o sucesso virão rapidamente.

Outro dia, ouvi alguém comentar sobre as multidões que assistiram aos shows de Madonna e Lady Gaga — um milhão e seiscentas mil pessoas, dois milhões e duzentas mil, respectivamente. Contudo, quando o Papa esteve em Copacabana, mais de quatro milhões se reuniram. Esses números nos revelam algo: apesar da busca desenfreada por entretenimento e ídolos, há uma carência espiritual profunda, um vazio que apenas a fé verdadeira pode preencher.

Em tempos de tanta futilidade, precisamos — mais do que nunca — de um conhecimento que transforme, que eduque a alma ainda infantil diante das realidades do espírito. É preciso resgatar o valor do ser sobre o ter.

Falta Jesus em nossos corações e em nossas ações. Mesmo após tantos séculos, a alma humana ainda anseia por algo que, muitas vezes, não sabe nomear. Alimentar a fé — essa semente divina — exige arar o solo interior e adubá-lo com compaixão, fraternidade e amor.

Nesse processo, a educação no lar assume um papel fundamental. Os pais devem ser exemplos vivos de moralidade e atitudes voltadas para o bem. Eles são o espelho onde os filhos se miram. A verdadeira educação não se transmite apenas por palavras, mas, sobretudo, pelo exemplo. É o melhor de nós que precisa ser oferecido.

Se hoje nos deparamos com comportamentos alarmantes, é quase certo que sejam frutos de uma educação equivocada, muitas vezes marcada pela ausência de valores sólidos. Alguns alegam não ter tempo, pois precisam garantir o sustento diário. No entanto, a questão não é a quantidade, mas a qualidade do tempo vivido com os filhos.

As crianças precisam sentir-se amadas, acolhidas e valorizadas. É desse alicerce afetivo e moral que nascerão, no futuro, homens e mulheres de bem. Além da educação no lar, é essencial a evangelização, para que conheçam e compreendam a moral do Cristo — e aprendam a segui-la com consciência e amor.

Estamos na matéria para evoluir. Nosso verdadeiro patrimônio é espiritual, intelectual e afetivo — frutos conquistados ao longo de múltiplas existências. São tesouros imperecíveis que carregamos na bagagem da alma. Por isso, devemos valorizar a educação como meio de transformação, buscando desenvolver as duas asas de que fala o Espiritismo: a do intelecto e a da moral.

A carência de Jesus em nossas vidas, muitas vezes, decorre da dificuldade de compreender verdadeiramente seus ensinamentos. Buscar o Evangelho não é tarefa simples — trata-se de textos de outra época, com costumes e linguagem diferentes dos nossos. Mas essa missão se torna mais acessível com o Consolador Prometido por Ele: a Doutrina Espírita.

O Mestre da Humanidade nos envia o Consolador para dar continuidade à obra que iniciou — a transformação do mundo, pessoa por pessoa. Quando cada ser compreender a importância de viver os ensinamentos do Cristo, a felicidade se tornará possível. Tudo depende de nós. Não podemos mudar o mundo de uma vez, mas podemos começar por nós mesmos. E um bom exemplo, como bem sabemos, arrasta multidões.

Sandra Fiore