segunda-feira, 1 de abril de 2019


                     Expositor Espírita


Algumas pessoas que se utilizam da palavra para fazerem palestras nas casas espíritas, às vezes não tem noção da responsabilidade diante do que dizem.

Somos formadores de consciência, devemos ser fieis à doutrina sem ideias próprias, sem individualismo, personalismo, sem divergir dos seus ensinamentos, não que Ela já tenha trazido todas as informações, assim como Jesus não disse tudo a seu tempo, a doutrina também não, Ela é progressista e muito jovem para que aconteçam mudanças radicais e toda informação trazida pelos espíritos, têm que ser universalizada, critério utilizado por Kardec, e a responsabilidade diante da palavra se faz necessário.

Tenho visto ao longo dos anos, muitos palestrantes subirem no púlpito para levar informações que divergem do espiritismo, quando não, buscam elaborar suas palestras em pesquisas da internet sem o critério da razão e do bom senso, falta de conhecimento e estudo.

A palestra faz parte da comunicação e divulgação dos postulados espíritas. Por isso é uma arte e como toda arte tem que ser aperfeiçoada.

Para se obter êxito na missão de divulgador da doutrina espírita através da palestra,  são necessários ter alguns requisitos básicos: Interesse pela tarefa, respeito e, sobretudo amor; Estudo (ler, analisar, pesquisar, aprofundar-se nos assuntos doutrinários); Comunicação, exercício constante aproveitando as oportunidades que surgem para exercitar o vocabulário.

Vivemos momentos de transição, estamos necessitados de ensinamentos morais que nos façam refletir, que possa tocar nossa alma para a importante reforma interior,  como os ensinamento de Jesus à luz da Doutrina Espírita e não precianos saber sobre  Ets, OVNIs / UFOs ou assuntos com alguma complexidade, lembrando que há a todo momento, pessoas novas chegando, vindo de outras religiões, estando na casa espírita pela primeira vez, não familiarizadas com certas terminologias, neste caso ficam boiando podendo desinteressa-las, cuidado sempre, temos que ter uma linguagem clara, simples e objetiva e não podemos ser prolixos.

Outra coisa, assuntos polêmicos levados em palestras que podem confundir quem nos ouve ou dividir os espiritistas por não comungarem da mesma ideia, quando precisamos nos unir para fortalecer a doutrina, devemos ser uma grande família, todos que abraçamos à causa devem estar juntos, fazendo com que haja mais interesse do publico e não o afastamento, péssimo exemplo.

Estudar é o caminho, a doutrina espírita é pedagógica e tem por finalidade a libertação da nossa consciência assim como a missão de Jesus, devemos reforçar para todos que nos ouvem, a importância de começar pelas obras básicas, somente ela nos ajudará a separar o joio do trigo. A literatura espírita é riquíssima, há excelentes livros e autores, porém alguns trazendo informações divergentes, somente o estudo aprofundado nos ajudará a selecionar o verdadeiro ensinamento trazido pelos espíritos sob a égide de Jesus e o importante trabalho de codificação realizado por Kardec.

Reforçando que o palestrante não precisa se transformar num palhaço para chamar a atenção, nem ficar querendo fazer as pessoas rirem o tempo todo com piadas às vezes de mau gosto, a tribuna na casa espírita não é teatro e nem picadeiro, a palestra bem elaborada, uma postura correta, voz firme acompanhada de sentimentos verdadeiros,  pode envolver a todos que ouvem esclarecendo e consolando.  A palestra é a porta de entrada para o interesse à doutrina e ao estudo, o habito da leitura é de romances que podem ser muito gostosos de ler, porem nem sempre trazem esclarecimentos necessários.

A elaboração da palestra tem que ser bem estruturada, tendo começo, meio e fim, girando em torno da questão central,  respeitando sempre o horário determinado pela casa, buscando conhecer o púbico, tendo simpatia e empatia.

Por fim, cuidado em querer se autopromover ou somente promover o trabalho como escritor, músico, não somos artistas, não precisamos de holofotes, somos instrumentos divulgadores dos postulados espírita, humildade sempre, levando a mensagem para que todos possam conhece-la.

Reflexão em torno do trabalho do expositor.

Ir e Ensinar

“Portanto ide, ensinai...” Jesus (Mateus 28:19)

Estudando a recomendação do Senhor aos discípulos – ide e ensinai -, é justo não olvidar que Jesus veio e ensinou.
Veio da Altura Celestial e ensinou o caminho de elevação aos que jaziam atolados na sombra terrestre.
Poderia o Cristo enviar a lição por emissários fiéis... poderia ter falado brilhantemente, esclarecendo como fazer.
Preferiu, contudo, para ensinar com segurança e proveito, vir aos homens e viver com eles, para mostrar-lhes como viver no rumo da perfeição.
Para isso, antes de tudo, fez-se humilde e simples na manjedoura, honrou o trabalho e o estudo no lar e, em plena atividade pública, foi o irmão providencial de todos, amparando a cada um, conforme as suas necessidades.
Com indiscutível acerto, Jesus é chamado o Divino Mestre.
Não porque possuísse uma cátedra de ouro...
Não porque fosse o dono da melhor biblioteca do mundo...
Não porque simplesmente exaltasse a palavra correta e irrepreensível...
Não porque subisse ao trono da superioridade cultural, ditando obrigações para os ouvintes....
Mas sim porque alçou o próprio coração ao amor fraterno e, ensinando, converteu-se em benfeitor de quantos lhe recolhiam os sublimes ensinamentos.
Falou-nos do Eterno Pai e revelou-nos, com seu sacrifício, a justa maneira de buscá-lo.
Se te propões, desse modo, cooperar com o Evangelho, recorda que não basta falar, aconselhar e informar.
“Ide e ensinai”, na palavra do Cristo, quer dizer: “ide e exemplificai para que os outros aprendam como é preciso fazer. ”

Emmanuel (Do livro “Fonte Viva”, psicografia de Francisco Cândido Xavier – Ed. FEB - Cap. 116)

Sandra Fiore (Orientadora do Curso de “Expositor Espírita”)