“Todo aquele
que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato,
médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um
privilégio exclusivo. (...) Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou meno
Assim,
conforme asseverou o Codificador, todos mantemos contato com o Mundo
Espiritual, pois vivemos em incessante intercâmbio com o mesmo. Desta forma, ao
fazermos uma oração recebemos o amparo da espiritualidade maior, do nosso
protetor/mentor espiritual, entramos em contato com as usinas de força da Vida
Maior. Por conseguinte, estamos exercendo a mediunidade, haja vista que
recebemos a influência dos espíritos superiores. E, pela questão da sintonia
vibratória, isso também vale para os espíritos menos elevados, pois quando alguém
tem pensamentos inferiores, espíritos que se afinam com estes são atraídos.
"O pensamento é o laço que nos une aos Espíritos, e pelo pensamento nós
atraímos os que simpatizam com as nossas idéias e inclinações". Allan
Kardec. Entretanto, usualmente só se chamam de médiuns “aqueles em quem a
faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos
patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou
menos sensitiva”. (Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, capítulo IX)
Posto isso,
os principais tipos de mediunidade são:
.de efeitos
físicos: este tipo pode ser dividido em dois grupos, ou seja, os facultativos -
que têm consciência dos fenômenos por eles produzidos - e os involuntários ou
naturais, que são inconscientes de suas faculdades, mas são usados pelos
espíritos para promoverem manifestações fenomênicas sem que o saibam.
.dos médiuns
sensitivos ou impressionáveis: são pessoas suscetíveis de sentirem a presença
dos espíritos por uma vaga impressão. Esta faculdade se desenvolve pelo hábito
e pode adquirir tal sutileza, que aquele que a possui reconhece, pela impressão
que experimenta, não só a natureza, boa ou má, do espírito que se aproxima, mas
até a sua individualidade.
.médiuns
audientes ou clariaudientes: neste caso os médiuns ouvem a voz dos espíritos. O
fenômeno manifesta-se algumas vezes como uma voz interior, que se faz ouvir no
foro íntimo. Outras vezes, dá-se como uma voz exterior, clara e distinta,
semelhante a de uma pessoa viva. Os médiuns audientes podem, assim, estabelecer
conversação com os espíritos.
.médiuns
videntes ou clarividentes: são dotados da faculdade de ver os espíritos. Cabe
salientar que o médium não vê com os olhos, mas é a alma quem vê e por isso é
que eles tanto vêem com os olhos fechados, como com os olhos abertos.
.médiuns
psicofônicos: neste tipo o médium serve como um instrumento pelo qual o
espírito se comunica pela fala; assim, há a acoplação do perispírito do
espírito comunicante no perispírito do médium, permitindo, assim, que o
espírito utilize o aparelho fonador do médium para fazer uso da fala.
.médiuns de
cura: Este gênero de mediunidade consiste, principalmente, no dom que possuem
certas pessoas de curar pelo simples toque, pelo olhar, mesmo por um gesto, sem
o concurso de qualquer medicação. Dir-se-á, sem dúvida, que isso mais não é do
que magnetismo. Evidentemente, o fluido magnético desempenha aí importante
papel. Porém, quem examina cuidadosamente o fenômeno sem dificuldade reconhece
que há mais alguma coisa. A magnetização ordinária é um verdadeiro tratamento
seguido, regular e metódico. No caso que apreciamos, as coisas se passam de
modo inteiramente diverso. Todos os magnetizadores são mais ou menos aptos a
curar, desde que saibam conduzir-se convenientemente, ao passo que nos médiuns
curadores a faculdade é espontânea e alguns até a possuem sem jamais terem
ouvido falar de magnetismo. A intervenção de uma potência oculta, que é o que
constitui a mediunidade, se faz manifesta, em certas circunstâncias, sobretudo
se considerarmos que a maioria das pessoas que podem, com razão, ser
qualificadas de médiuns curadores recorre à prece, que é uma verdadeira
evocação.
.médiuns
mecânicos: Quem examinar certos efeitos que se produzem nos movimentos da mesa,
da cesta, ou da prancheta que escreve não poderá duvidar de uma ação diretamente
exercida pelo Espírito sobre esses objetos. A cesta se agita por vezes com
tanta violência, que escapa das mãos do médium e não raro se dirige a certas
pessoas da assistência para nelas bater. Outras vezes, seus movimentos dão
mostra de um sentimento afetuoso. O mesmo ocorre quando o lápis está colocado
na mão do médium; freqüentemente é atirado longe com força, ou, então, a mão,
bem como a cesta, se agitam convulsivamente e batem na mesa de modo colérico,
ainda quando o médium está possuído da maior calma e se admira de não ser
senhor de si Digamos, de passagem, que tais efeitos demonstram sempre a
presença de Espíritos imperfeitos; os Espíritos superiores são constantemente
calmos, dignos e benévolos; se não são escutados convenientemente, retiram-se e
outros lhes tomam o lugar. Pode, pois, o Espírito exprimir diretamente suas
idéias, quer movimentando um objeto a que a mão do médium serve de simples
ponto de apoio, quer acionando a própria mão.
Quando atua
diretamente sobre a mão, o Espírito lhe dá uma impulsão de todo independente da
vontade deste último. Ela se move sem interrupção e sem embargo do médium,
enquanto o Espírito tem alguma coisa que dizer, e pára, assim ele acaba.
Nesta
circunstância, o que caracteriza o fenômeno é que o médium não tem a menor
consciência do que escreve. Quando se dá, no caso, a inconsciência absoluta;
têm-se os médiuns chamados passivos ou mecânicos. E preciosa esta faculdade,
por não permitir dúvida alguma sobre a independência do pensamento daquele que
escreve.
.médiuns
intuitivos: 180. A transmissão do pensamento também se dá por meio do Espírito
do médium, ou, melhor, de sua alma, pois que por este nome designamos o
Espírito encarnado. O Espírito livre, neste caso, não atua sobre a mão, para
fazê-la escrever; não a toma, não a guia. Atua sobre a alma, com a qual se
identifica. A alma, sob esse impulso, dirige a mão e esta dirige o lápis.
Notemos aqui uma coisa importante: é que o Espírito livre não se substitui à
alma, visto que não a pode deslocar. Domina-a, mau grado seu, e lhe imprime a
sua vontade. Em tal circunstância, o papel da alma não é o de inteira
passividade; ela recebe o pensamento do Espírito livre e o transmite. Nessa
situação, o médium tem consciência do que escreve, embora não exprima o seu próprio
pensamento. E o que se chama médium intuitivo.
Mas, sendo
assim, dir-se-á, nada prova seja um Espírito estranho quem escreve e não o do
médium. Efetivamente, a distinção é às vezes difícil de fazer-se, porém, pode
acontecer que isso pouca importância apresente. Todavia, é possível
reconhecer-se o pensamento sugerido, por não ser nunca preconcebido; nasce à
medida que a escrita vai sendo traçada e, amiúde, é contrário à idéia que
antecipadamente se formara. Pode mesmo estar fora dos limites dos conhecimentos
e capacidades do médium.
O papel do
médium mecânico é o de uma máquina; o médium intuitivo age como o faria um
intérprete. Este, de fato, para transmitir o pensamento, precisa compreendê-lo,
apropriar-se dele, de certo modo, para traduzi-lo fielmente e, no entanto, esse
pensamento não é seu, apenas lhe atravessa o cérebro. Tal precisamente o papel
do médium intuitivo.
.médiuns
semimecânicos: 181. No médium puramente mecânico, o movimento da mão independe
da vontade; no médium intuitivo, o movimento é voluntário e facultativo. O
médium semimecânico participa de ambos esses gêneros. Sente que à sua mão uma
impulsão é dada, mau grado seu, mas, ao mesmo tempo, tem consciência do que
escreve, à medida que as palavras se formam. No primeiro o pensamento vem
depois do ato da escrita; no segundo, precede-o; no terceiro, acompanha-o.
Estes últimos médiuns são os mais numerosos
.médiuns
inspirados: 182. Todo aquele que, tanto no estado normal, como no de êxtase,
recebe, pelo pensamento, comunicações estranhas às suas idéias preconcebidas,
pode ser incluído na categoria dos médiuns inspirados. Estes, como se vê,
formam uma variedade da mediunidade intuitiva, com a diferença de que a
intervenção de uma força oculta é aí muito menos sensível, por isso que, ao
inspirado, ainda é mais difícil distinguir o pensamento próprio do que lhe é
sugerido. A espontaneidade é o que, sobretudo, caracteriza o pensamento deste
último gênero. A inspiração nos vem dos Espíritos que nos influenciam para o
bem, ou para o mal, porém, procede, principalmente, dos que querem o nosso bem
e cujos conselhos muito amiúde cometemos o erro de não seguir. Ela se aplica,
em todas as circunstâncias da vida, às resoluções que devamos tomar. Sob esse
aspecto, pode dizer-se que todos são médiuns, porquanto não há quem não tenha
seus Espíritos protetores e familiares, a se esforçarem por sugerir aos
protegidos salutares idéias. Se todos estivessem bem compenetrados desta
verdade, ninguém deixaria de recorrer com freqüência à inspiração do seu anjo
de guarda, nos momentos em que se não sabe o que dizer, ou fazer. Que cada um,
pois, o invoque com fervor e confiança, em caso de necessidade, e muito
freqüentemente se admirará das idéias que lhe surgem como por encanto, quer se
trate de uma resolução a tomar, quer de alguma coisa a compor. Se nenhuma idéia
surge, é que é preciso esperar. A prova de que a idéia que sobrevém é estranha
à pessoa de quem se trate esta em que, se tal idéia lhe existira na mente, essa
pessoa seria senhora de, a qualquer momento, utilizá-la e não haveria razão
para que ela se não manifestasse à vontade. Quem não é cego nada mais precisa
fazer do que abrir os olhos, para ver quando quiser. Do mesmo modo, aquele que
possui idéias próprias tem-nas sempre à disposição. Se elas não lhes vêm quando
quer, é que está obrigado a buscá-las algures, que não no seu intimo.
Também se
podem incluir nesta categoria as pessoas que, sem serem dotadas de inteligência
fora do comum e sem saírem do estado normal, têm relâmpagos de uma lucidez
intelectual que lhes dá momentaneamente desabitual facilidade de concepção e de
elocução e, em certos casos, o pressentimento de coisas futuras. Nesses
momentos, que com acerto se chamam de inspiração, as idéias abundam, sob um
impulso involuntário e quase febril. Parece que uma inteligência superior nos
vem ajudar e que o nosso espírito se desembaraçou de um fardo.
183. Os
homens de gênio, de todas as espécies, artistas, sábios, literatos, são sem
dúvida Espíritos adiantados, capazes de compreender por si mesmos e de conceber
grandes coisas. Ora, precisamente porque os julgam capazes, é que os Espíritos,
quando querem executar certos trabalhos, lhes sugerem as idéias necessárias e
assim é que eles, as mais das vezes, são médiuns sem o saberem. Têm, no
entanto, vaga intuição de uma assistência estranha, visto que todo aquele que
apela para a inspiração, mais não faz do que uma evocação. Se não esperasse ser
atendido, por que exclamaria, tão freqüentemente: meu bom gênio, vem em meu
auxílio?
As respostas
seguintes confirmam esta asserção:
a) Qual a
causa primária da inspiração?
"O
Espírito que se comunica pelo pensamento."
b) A revelação
das grandes coisas não é que constitui o objeto único da inspiração?
"Não, a
inspiração se verifica, muitas vezes, com relação às mais comuns circunstâncias
da vida. Por exemplo, queres ir a alguma parte: uma voz secreta te diz que não
o faças, porque correrás perigo; ou, então, te diz que faças uma coisa em que
não pensavas. É a inspiração. Poucas pessoas há que não tenham sido mais ou
menos inspiradas em certos momentos."
c) Um autor,
um pintor, por exemplo, poderiam, nos momentos de inspiração, ser considerados
médiuns?
"Sim,
porquanto, nesses momentos, a alma se lhes torna mais livre e como que
desprendida da matéria; recobra uma parte das suas faculdades de Espírito e
recebe mais facilmente as comunicações dos outros Espíritos que a
inspiram."
.médiuns de
pressentimentos: O pressentimento é uma intuição vaga das coisas futuras.
Algumas pessoas têm essa faculdade mais ou menos desenvolvida. Pode ser devida
a uma espécie de dupla vista, que lhes permite entrever as conseqüências das
coisas atuais e a filiação dos acontecimentos. Mas, muitas vezes, também é
resultado de comunicações ocultas e, sobretudo neste caso, é que se pode dar
aos que dela são dotados o nome de médiuns de pressentimentos, que constituem
uma variedade dos médiuns inspirados.
"Mediunidade
espírita, porém, é a que faculta o intercâmbio consciente, responsável, entre o
mundo físico e o espiritual, facultando a sublimação das provas pela superação
da dor e pela renúncia às paixões, ao mesmo tempo abrindo à criatura os horizontes
luminosos para a libertação total, mediante o serviço aos companheiros do
caminho humano, gerando amor com os instrumentos da caridade redentora de que
ninguém pode prescindir". Joanna de Ângelis (espírito), livro Oferenda -
pág. 130/131 -, psicografado por Divaldo Franco
. médiuns
psicógrafos: Transmitem as comunicações dos espíritos através da escrita. São
subdivididos em mecânicos, semimecânicos e intuitivos. Os mecânicos não têm
consciência do que escrevem e a influência do pensamento do médium na comunicação
é quase nenhuma. Como há um grande domínio da entidade sobre a faculdade
mediúnica a idéia do espírito comunicante se expressa com maior clareza. Há
casos em que o médium psicografa mensagens complexas conversando com outras
pessoas, totalmente distraído do que escreve. Já nos semimecânicos, a
influência da entidade comunicante sobre as faculdades mediúnicas não é tão
intensa, pois a comunicação sofre uma influência do pensamento do médium. Isso
ocorre com a maioria dos médiuns psicógrafos. Com relação os intuitivos, estes
recebem a idéia do espírito comunicante e a interpretam, desenvolvendo-a com os
recursos de suas próprias possibilidades morais e intelectuais.
“Mediunidade
espírita, porém, é a que faculta o intercâmbio consciente, responsável, entre o
mundo físico e o espiritual, facultando a sublimação das provas pela superação
da dor e pela renúncia às paixões, ao mesmo tempo abrindo à criatura os
horizontes luminosos para a libertação total, mediante o serviço aos
companheiros do caminho humano, gerando amor com os instrumentos da caridade
redentora de que ninguém pode prescindir”. Joanna de Ângelis (espírito), livro
Oferenda – pág. 130/131 -, psicografado por Divaldo Franco
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