Valorização da vida e o suicídio na infância
Falar de autoextermínio nem sempre é uma tarefa fácil. Aliás,
falar em morte de forma geral é sempre um tabu. Embora sejamos espíritos
milenares, já tendo passado por várias encarnações, distanciando-nos de alguém
que amamos, ainda assim não conseguimos aceitar esse acontecimento. Imagine,
então, quando se trata de alguém que poderia continuar entre nós e resolveu desistir
da vida física! Quem resolve cometer o suicídio, normalmente, está enfrentando
uma dor imensurável e vê no autoextermínio a solução. Entretanto, sabemos que esse
não é o melhor caminho. O ideal é buscar solução para os problemas que estão
vivenciando. Na verdade, não querem se matar, mas matar a dor que estão sentindo.
Conforme a OMS a causa maior do suicídio é a depressão e
ela é uma doença e, como toda doença, precisa ser diagnosticada e tratada. Infelizmente
muitos não aceitam estarem doentes e pensam que a tristeza vai passar, até se
esforçam; porém sem o devido tratamento com remédios fica difícil a cura. É
necessário dizer como é importante a ajuda da família nesses casos.
Nosso cérebro é um órgão complexo e a depressão, uma
enfermidade caracterizada por marcantes alterações de humor, por uma longa e
profunda tristeza que afeta, negativamente, a maneira pela qual a pessoa vê e
sente a própria realidade, tornando tudo mais difícil e dimensionamento ampliado.
Fatores químicos estão envolvidos como a falta de alguns hormônios como endorfina,
oxitocina, dopamina e serotonina, mas existem muitas possíveis causas para essa
desarmonia como vulnerabilidade genética, eventos estressantes da vida,
medicamentos. É sempre importante investigar.
Hoje há meios de descobrir e tratar tais doenças. O que
falta, muitas vezes, é a sensibilidade de perceber que alguém próximo de nós
está precisando de ajuda; infelizmente vivemos num mundo onde predomina o individualismo,
o egoísmo e nos voltamos apenas a nós mesmos, sem falar que algumas pessoas
mascaram seus sentimentos, tornando-se difícil descobrir e orientar. Temos que
fazer um grande esforço, ficarmos atentos para podermos ajudar. Chico Xavier sempre dizia aos que com ele
conviviam que, quando nos envolvemos com a dor alheia, a nossa fica menor.
A taxa de suicídios entre homens é maior do que entre as
mulheres, talvez isso se dê por conta da não aceitação da doença, por ser vista
por alguns como fragilidade, fraqueza, podendo afetar sua masculinidade, sua
virilidade e o suicídio seria para os fortes.
Entre jovens de 15 e 29 anos, é a segunda causa
morte no mundo, assim como crianças em tenra idade, que também se suicidam com
fatores desencadeantes: discussão com os pais, problemas escolares, isolamento,
rejeição dos colegas, bullying, perda de entes queridos, mudanças
significativas na família, como separação dos pais. Quando não estão preparados
para essa situação, ficam perdidos e se sentem abandonados, excluídos.
Muitos ficam assustados quando se fala que uma criança
cometeu suicídio, mas, como vimos, muitos fatores podem contribuir para que possam
perder o interesse pela vida. Como espíritas não podemos descartar as influências
espirituais, inimigos do passado. Sabemos que não é porque é criança que
não sofram tais assédios, o corpo pode ser de uma criança, mas o espírito já
teve muitas existências e conquistou, ao longo das vidas sucessivas, amigos,
mas também muitos inimigos.
Os pais têm que ficar atentos ao comportamento dessas
crianças, dos jovens, participar mais da vida deles, assim como precisam se
sentir amados, queridos, porque isso será fundamental para também aprenderem a
amar. Não é a quantidade de tempo que passamos juntos com nossa família, mas a
qualidade dele. Ao estarmos com ela, precisamos demostrar nossos sentimentos,
dar-lhe atenção.
Portanto,
as oportunidades estão aí, em estar próximo daqueles que amamos e aproveitar
para fortalecer os laços que nos unem. Não adianta bater o arrependimento,
quando alguém parte de retorno à espiritualidade e ouvimos pessoas dizerem que
não tiveram tempo de demostrar seus sentimentos ou dizer o que gostariam de
terem dito. O que precisamos fazer é dar muito amor, carinho, enquanto estão
conosco.
Como os transtornos mentais e os possíveis suicidas podem
dar alguns sinais, fiquemos atentos às alterações que possam apresentar:
·
Dores de cabeça frequente; Tristeza ou
alteração do humor; Perda de interesse ou prazer nas atividades habituais; Dificuldade
na tomada de decisões; Insônia ou Sonolência; Perda do apetite ou Apetite
incontrolável; Cansaço frequente, fadiga; Falta de
concentração; Autoestima comprometida; Sentimentos de desespero com choro
constante; Isolamento e Pensamentos suicidas
A
melhor maneira de enfrentar os problemas é falando sobre o assunto, falar
também sobre a imortalidade da alma, porque a maior decepção de quem tira a
própria vida é se ver vivo. Buscar ajuda
de profissionais e, se possível, fazer tratamento espiritual que muito
auxiliará o médico da Terra no tratamento mais adequado, além de ajudar no
afastamento dos inimigos espirituais e na educação da própria alma do encarnado,
que pode estar sofrendo por inúmeras razões, desequilibrando-se e adoecendo. A
fé que alimenta a esperança nos fortalece diante das adversidades, possibilitando-nos
o enfrentamento da dor, diminuindo o sofrimento, porque a dor é inevitável; no
entanto, o sofrimento é opcional. No caso das crianças, os pais devem levá-las
à evangelização infantil, adolescentes e jovens à Mocidade Espírita. A formação
do caráter em bases cristãs é muito importante.
Precisamos
ter empatia, porque ela pode salvar vida, aprender a ouvir o outro, dar
carinho, atenção, porque, sem dúvida, o melhor remédio que podemos dar é o amor
e saber ouvir é um ato de amor.
A vida
é o maior bem que Deus nos deu e a beleza dela pode mudar nossa história. Valorizemos
a vida, porque viver é sempre a melhor opção.
Sandra Fiore
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