domingo, 24 de abril de 2022

 

       Valorização da vida e o suicídio na infância

            Falar de autoextermínio nem sempre é uma tarefa fácil. Aliás, falar em morte de forma geral é sempre um tabu. Embora sejamos espíritos milenares, já tendo passado por várias encarnações, distanciando-nos de alguém que amamos, ainda assim não conseguimos aceitar esse acontecimento. Imagine, então, quando se trata de alguém que poderia continuar entre nós e resolveu desistir da vida física! Quem resolve cometer o suicídio, normalmente, está enfrentando uma dor imensurável e vê no autoextermínio a solução. Entretanto, sabemos que esse não é o melhor caminho. O ideal é buscar solução para os problemas que estão vivenciando. Na verdade, não querem se matar, mas matar a dor que estão sentindo.

            Conforme a OMS a causa maior do suicídio é a depressão e ela é uma doença e, como toda doença, precisa ser diagnosticada e tratada. Infelizmente muitos não aceitam estarem doentes e pensam que a tristeza vai passar, até se esforçam; porém sem o devido tratamento com remédios fica difícil a cura. É necessário dizer como é importante a ajuda da família nesses casos. 

            Nosso cérebro é um órgão complexo e a depressão, uma enfermidade caracterizada por marcantes alterações de humor, por uma longa e profunda tristeza que afeta, negativamente, a maneira pela qual a pessoa vê e sente a própria realidade, tornando tudo mais difícil e dimensionamento ampliado. Fatores químicos estão envolvidos como a falta de alguns hormônios como endorfina, oxitocina, dopamina e serotonina, mas existem muitas possíveis causas para essa desarmonia como vulnerabilidade genética, eventos estressantes da vida, medicamentos. É sempre importante investigar.  

            Hoje há meios de descobrir e tratar tais doenças. O que falta, muitas vezes, é a sensibilidade de perceber que alguém próximo de nós está precisando de ajuda; infelizmente vivemos num mundo onde predomina o individualismo, o egoísmo e nos voltamos apenas a nós mesmos, sem falar que algumas pessoas mascaram seus sentimentos, tornando-se difícil descobrir e orientar. Temos que fazer um grande esforço, ficarmos atentos para podermos ajudar.  Chico Xavier sempre dizia aos que com ele conviviam que, quando nos envolvemos com a dor alheia, a nossa fica menor.

            A taxa de suicídios entre homens é maior do que entre as mulheres, talvez isso se dê por conta da não aceitação da doença, por ser vista por alguns como fragilidade, fraqueza, podendo afetar sua masculinidade, sua virilidade e o suicídio seria para os fortes.  

              Entre jovens de 15 e 29 anos, é a segunda causa morte no mundo, assim como crianças em tenra idade, que também se suicidam com fatores desencadeantes: discussão com os pais, problemas escolares, isolamento, rejeição dos colegas, bullying, perda de entes queridos, mudanças significativas na família, como separação dos pais. Quando não estão preparados para essa situação, ficam perdidos e se sentem abandonados, excluídos.

            Muitos ficam assustados quando se fala que uma criança cometeu suicídio, mas, como vimos, muitos fatores podem contribuir para que possam perder o interesse pela vida. Como espíritas não podemos descartar as influências espirituais, inimigos do passado. Sabemos que não é porque é criança que não sofram tais assédios, o corpo pode ser de uma criança, mas o espírito já teve muitas existências e conquistou, ao longo das vidas sucessivas, amigos, mas também muitos inimigos.

            Os pais têm que ficar atentos ao comportamento dessas crianças, dos jovens, participar mais da vida deles, assim como precisam se sentir amados, queridos, porque isso será fundamental para também aprenderem a amar. Não é a quantidade de tempo que passamos juntos com nossa família, mas a qualidade dele. Ao estarmos com ela, precisamos demostrar nossos sentimentos, dar-lhe atenção.

Portanto, as oportunidades estão aí, em estar próximo daqueles que amamos e aproveitar para fortalecer os laços que nos unem. Não adianta bater o arrependimento, quando alguém parte de retorno à espiritualidade e ouvimos pessoas dizerem que não tiveram tempo de demostrar seus sentimentos ou dizer o que gostariam de terem dito. O que precisamos fazer é dar muito amor, carinho, enquanto estão conosco.

            Como os transtornos mentais e os possíveis suicidas podem dar alguns sinais, fiquemos atentos às alterações que possam apresentar:

·         Dores de cabeça frequente; Tristeza ou alteração do humor; Perda de interesse ou prazer nas atividades habituais; Dificuldade na tomada de decisões; Insônia ou Sonolência; Perda do apetite ou Apetite incontrolável; Cansaço frequente, fadiga; Falta de concentração; Autoestima comprometida; Sentimentos de desespero com choro constante; Isolamento e Pensamentos suicidas

A melhor maneira de enfrentar os problemas é falando sobre o assunto, falar também sobre a imortalidade da alma, porque a maior decepção de quem tira a própria vida é se ver vivo.  Buscar ajuda de profissionais e, se possível, fazer tratamento espiritual que muito auxiliará o médico da Terra no tratamento mais adequado, além de ajudar no afastamento dos inimigos espirituais e na educação da própria alma do encarnado, que pode estar sofrendo por inúmeras razões, desequilibrando-se e adoecendo. A fé que alimenta a esperança nos fortalece diante das adversidades, possibilitando-nos o enfrentamento da dor, diminuindo o sofrimento, porque a dor é inevitável; no entanto, o sofrimento é opcional. No caso das crianças, os pais devem levá-las à evangelização infantil, adolescentes e jovens à Mocidade Espírita. A formação do caráter em bases cristãs é muito importante.

Precisamos ter empatia, porque ela pode salvar vida, aprender a ouvir o outro, dar carinho, atenção, porque, sem dúvida, o melhor remédio que podemos dar é o amor e saber ouvir é um ato de amor.

A vida é o maior bem que Deus nos deu e a beleza dela pode mudar nossa história. Valorizemos a vida, porque viver é sempre a melhor opção.

Sandra Fiore

Nenhum comentário:

Postar um comentário