Conforme o filosofo Nietzsche, Deus está morto?
Reflexões sobre a Filosofia e a Morte de Deus à luz da doutrina espírita.
A palavra Filosofia tem origem grega e significa "amor à sabedoria". Filosofar é refletir sobre as questões fundamentais da vida humana — porque quem filosofa sente a necessidade de compreender essas questões para viver melhor.
Ao longo da história, os grandes pensadores da humanidade buscaram respostas para os dilemas da existência. Para isso, é necessário questionar, perguntar, refletir. A pergunta certa pode nos conduzir a respostas racionais, lógicas e nos aproximar da verdade.
Contudo, compreender esses pensadores nem sempre é tarefa fácil. Muitos deles foram — e ainda são — existencialistas, voltados apenas para o aqui e agora. No entanto, para nós, que seguimos a Doutrina Espírita, composta por três aspectos inseparáveis — ciência, filosofia e religião —, sabemos que o ser humano é mais do que um corpo. A vida tem continuidade e os problemas são ferramentas de aprendizagem. Nossas atitudes estão diretamente ligadas à nossa ignorância diante das lições da vida.
Um dos grandes nomes da filosofia moderna é Friedrich Nietzsche, nascido em 15 de outubro de 1844, em Röcken, na antiga Prússia (atual Alemanha). Nietzsche desafiou os fundamentos da moral ocidental e criticou severamente os valores cristãos tradicionais.
Para ele, temas como Deus, Verdade, Sentido, Justiça, Ordem, Ciência e Família eram construções morais impostas pela cultura ocidental, que, em sua visão, domesticavam o homem e anulavam sua criatividade. Assim, os valores do mundo estariam baseados em nada. A cultura que não supera essa condição torna-se niilista.
Mas o que é niilismo? É a negação de sentido e valor à vida. Para Nietzsche, trata-se da inversão dos valores vitais — algo que ele via como consequência do cristianismo tradicional. Daí sua célebre frase: “Deus está morto.
Essa afirmação aparece com força em suas obras A Gaia Ciência (1882) e Assim Falou Zaratustra (1883–1885), mas não deve ser entendida de forma literal. Nietzsche não está dizendo que uma divindade real morreu, e sim que os valores religiosos que sustentavam a civilização ocidental perderam seu sentido e sua força
A frase é uma metáfora poderosa. Com o avanço da ciência, do racionalismo e da secularização, as pessoas passaram a viver como se Deus não existisse — ainda que, muitas vezes, dissessem o contrário. Isso gerou uma crise profunda de sentido: sem Deus como fundamento absoluto, como construir valores? Como dar sentido à vida?
Nietzsche advertiu que essa ruptura poderia levar ao niilismo — à sensação de que nada tem valor ou propósito. A resposta que propôs foi a criação de novos valores por meio do além-do-homem (Übermensch), um ser capaz de afirmar a vida mesmo diante do caos, reinventando seu próprio significado de existência.
Meu entendimento sobre a morte de Deus:
“Deus está morto”, disse Nietzsche, certa vez. O deus apresentado pelas religiões, este sim, está morto. Morreu por falta de misericórdia, por ausência de amor ao próximo. Morreu por asfixia, mergulhado nos milhões de moedas geradas pela arrecadação criminosa obtida da ingenuidade e da falta de conhecimento. Morreu em cada ritual vazio de respostas, que perpetua a crença de que a crucifixão é nossa libertação (!?). Morreu em cada ser mutilado ou assassinado por balas perdidas ou bombas amarradas ao próprio coração daquele que O busca em desespero. Morreu em cada árvore caída, em cada rio poluído, no superaquecimento do ar que respiramos.
Essa é, sem dúvida, uma das verdades mais duras. Estamos, sim, matando Deus constantemente — com nossos egoísmos, preconceitos, intolerâncias. Matamos Deus quando destruímos a natureza, quando banalizamos a vida, quando silenciamos diante da injustiça
Somos, em alguma medida, cúmplices desse assassinato quando damos aval a políticos corruptos, quando aceitamos leis que atentam contra a vida, como a legalização do aborto, ou defendemos o armamento de uma população desequilibrada, sabedores de que a violência cresce com a falta de paz interior.
Até quando continuaremos matando Deus?
Quando deixaremos de pensar apenas em nós mesmos e nos nossos interesses imediatos? Será necessário que um novo enviado divino nasça e morra novamente por nós, para que finalmente despertemos?
Ainda estamos na infância espiritual. Precisamos amadurecer — sair da ignorância infantil e alcançar uma adolescência consciente, onde o entendimento e a responsabilidade caminhem juntos. Só assim deixaremos de repetir os erros do passado
Que venha, com urgência, o mundo de regeneração. Que possamos, enfim, experimentar uma vida baseada na fraternidade, no respeito e na verdadeira felicidade — aquela que nasce do amor ao próximo e da comunhão com o divino que habita em tudo e em todos.
Sandra Fiore
Nenhum comentário:
Postar um comentário