terça-feira, 25 de março de 2014

PESQUISAS CIENTÍFICAS SOBRE A REENCARNAÇÃO

O jornalista Tom Shroder, autor do livro Almas Antigas, acompanhou as pesquisas do dr. Ian Stevenson sobre reencarnação. Ele falou conosco a respeito de seu trabalho, sobre a resistência da ciência em investigar o assunto e como sua vida se transformou após esse contato com o tema.

- Gilberto Schoereder -
No Brasil, as pesquisas científicas sobre reencarnação têm sido realizadas principalmente pelo dr. Hernani Guimarães Andrade e pelo dr. João Alberto Fiorini, cujas investigações vêm sendo publicadas pela Espiritismo & Ciência. Nos EUA, a linha de frente dessas pesquisas está a cargo do dr. Ian Stevenson, médico psiquiatra que há décadas vem coletando relatos de possíveis casos de reencarnação em todo o mundo.

Quem quiser conhecer melhor o trabalho do cientista norte-americano, vai encontrar informações muito interessantes no livro Almas Antigas (Ed. Sextante). É mais uma boa oportunidade para se discutir a participação da ciência e as investigações com metodologia científica sobre a reencarnação.

O livro foi escrito pelo jornalista Tom Shroder - editor do conceituado jornal norte-americano The Washington Post - e apresenta as pesquisas de Stevenson, a quem o jornalista acompanhou em diversas viagens pelo mundo. Entre outras coisas, o que o livro mostra é que o pensamento científico só tem a ganhar se conseguir se abrir para novas possibilidades. Além disso, existem cientistas de peso realmente preocupados com questões que, até pouco tempo atrás, eram consideradas como pertencentes apenas ao campo do espiritualismo. O próprio dr. Stevenson, ainda que pouco fale publicamente sobre o tema, deixou bem claro que não se importa com o que os colegas cientistas possam pensar a respeito de seu trabalho, uma vez que está plenamente consciente de que vem agindo com o maior rigor científico possível.

Também é preciso que se diga que, nos últimos tempos, vários cientistas têm demonstrado um interesse verdadeiro em aproximar a ciência de conceitos espiritualistas milenares - mesmo que isso tenha ocorrido mais no aspecto teórico e conceitual. O resultado dessa aproximação tem sido, em muitos casos, a descoberta de noções que já existem há centenas ou milhares de anos, e que só recentemente a ciência tem conseguido conceber e desenvolver.

O caso do dr. Stevenson talvez seja apenas mais claro, mais nítido, uma vez que ele foi a campo recolher testemunhos, e suas pesquisas parecem ter ido mais longe do que a maioria dos cientistas. Recusando-se a se apoiar apenas em teorias, ele passou trinta e sete anos viajando pelo planeta, coletando testemunhos de crianças que alegam ter lembranças nítidas de outras vidas. Não é um procedimento inédito, mas a diferença é que nenhum dos casos estudados estava sob influência de hipnose, da mesma forma como as informações fornecidas podiam ser facilmente verificadas, uma vez que se referiam a existências passadas, porém recentes, e não distantes no tempo, como a Idade Média ou o antigo Egito.

Sem Dogmatismo

Segundo Shroder, um dos aspectos marcantes em Stevenson e que chamou sua atenção é sua postura absolutamente pé-no-chão, verificando minuciosamente as informações obtidas nas entrevistas. E também, quando passou a pesquisar a obra do cientista, o jornalista percebeu que outros cientistas em várias partes do mundo o tinham em alta consideração, apesar de seu nome ser muito pouco conhecido fora do meio acadêmico.

Stevenson jamais deixou de considerar as possibilidades contrárias, aquelas que poderiam deitar por terra qualquer realidade do fenômeno da reencarnação: como, por exemplo, se os pais das crianças interrogadas pudessem, mesmo inconscientemente, estar passando informações a elas. Quando Shroder perguntou a Stevenson sobre essa possibilidade, ele simplesmente respondeu: "Essa idéia nunca deixa de assombrar meus pensamentos". Em outras palavras, não se trata, em hipótese alguma, de uma pesquisa viciada, com uma só direção, mas que está sempre levando em consideração todas as variáveis possíveis.

O pesquisador também vê, com uma clareza raramente encontrada, os problemas pelos quais a ciência passa atualmente. Já em 1989, em palestra proferida na Southeastern Louisiana University, ele dizia: "Para mim, tudo em que os cientistas acreditam agora está aberto a mudanças, e eu fico consternado ao perceber que muitos aceitam o conhecimento atual como algo imutável". E mais: "Se os hereges pudessem ser queimados vivos nos dias de hoje, os cientistas - sucessores dos teólogos, que queimavam qualquer um que negasse a existências das almas no século XVI - hoje queimariam aqueles que afirmam que elas existem". Uma postura confirmando a suspeita de muitos de que a ciência, em vários aspectos, tornou-se tão dogmática quanto as religiões dos séculos passados, tornando-se uma espécie de religião moderna.

Formado em medicina no Canadá pela Universidade McGill em 1943, Stevenson se especializou em psiquiatria e, em 1957, tornou-se chefe do departamento de psiquiatria da Escola de Medicina da Universidade de Virgínia, onde começou a estudar crianças que se lembravam de existências passadas e se dedicou totalmente à pesquisa de fenômenos paranormais. Quando Tom Shroder começou a investigar as publicações científicas à procura de referências sobre o trabalho do dr. Ian Stevenson encontrou, ao lado de cientistas que não aceitavam as provas de Stevenson sobre reencarnação, uma série de pesquisadores que o consideravam um precursor, um homem que iniciou investigações científicas em temas que, até então, eram considerados tabus.

Um deles chegou a compará-lo a Galileu, o que talvez não seja tão exagerado, uma vez que hoje em dia também é preciso coragem para enfrentar o dogmatismo da comunidade científica.

Outra Postura

Talvez alguma coisa esteja realmente mudando na ciência. A quantidade de estudiosos investigando casos ligados à paranormalidade vem aumentando, e a postura de importantes teóricos tem reforçado esses posicionamentos. É verdade que esse não é um movimento tão recente, tendo começado com o pensamento de Fritjof Capra e, mais recentemente, ganhando o apoio de cientistas importantes como Ilya-Prigogine, que estabelece paralelos consistentes entre a antiga filosofia hindu e as modernas teorias da física quântica - capazes de serem aplicadas com sucesso na explicação de assuntos cabeludos, como a reencarnação, fenômenos parasicológicos, a existência de universos paralelos e dimensões alternativas de realidade.

Mas não há dúvida de que, para a ciência, em seus aspectos mais ortodoxos, o que conta é a experimentação, a existência de provas conclusivas, a possibilidade de repetir experiências em ambientes, situações e momentos diversos. Stevenson, como qualquer cientista moderno que conhece o terreno em que está pisando, sabe que existem temas de pesquisa que simplesmente não se encaixam nessas exigências. Ele viajou para a Índia, para o Oriente Médio e muitos outros locais coletando informações, entrevistando as crianças e anotando os dados por elas fornecidos, para só depois partir numa verdadeira investigação policial e reconstituir a vida passada à qual elas se referiam. Isso não pode ser repetido num laboratório.

Assim como se referiu à afirmação de que a alma existe como algo capaz de levar uma pessoa à fogueira - senão literal, pelo menos metaforicamente -, ele também citou uma experiência controlada para verificar a possibilidade da existência dessa parte imaterial do ser humano. Um homem à beira da morte foi colocado numa cama em cima de uma balança. No momento em que morreu, verificou-se que o peso registrado na balança não foi alterado. Assim, se a alma existe e sai do corpo no momento da morte física, certamente ela não tem peso. É uma tentativa até mesmo ingênua, uma vez que estamos falando de valores completamente diferentes, que vão requerer dos cientistas posturas e modos de pensamento muito distantes daqueles aos quais estão eles acostumados.

Na entrevista a seguir, Tom Shroder fala mais sobre seu trabalho com o dr. lan Stevenson.

O fato de você deixar de ser um cético e passar a acreditar na veracidade da reencarnação alterou a forma como você encara a vida?

Primeiramente, quero dizer que meu entendimento básico sobre o assunto não mudou. Eu me aprofundei no trabalho de lan Stevenson com um desejo de examinar seus métodos - para ver as evidências em primeira mão e avaliar sua metodologia e conclusões. Nunca me impressionei com crenças em fenômenos paranormais baseado apenas no desejo de acreditar em algo fantástico ou na sensação de que "tem de existir algo mais".

Isso posto, antes de minhas experiências com o dr. Stevenson, eu não tinha encontrado nenhuma "evidência" sobre a possibilidade da reencarnação que resistisse a tanto escrutínio. Eu estava, sim, muito aberto à possibilidade de que, vistos de perto, os casos de Stevenson poderiam não ser convincentes. Ao estudar esses casos, percebi que uma série de perguntas clamava por respostas:

1 - As crianças realmente haviam feito declarações espontâneas sobre terem tido uma identidade prévia, com informações específicas sobre essa identidade?;

2 - As coisas ditas pelas crianças realmente descreviam a vida de uma determinada pessoa falecida que pudesse ser identificada?;

3 - Existia alguma possibilidade da criança ter obtido aquela informação de uma maneira normal?;

4 - Poderia haver algum motivo, consciente ou não, para que a testemunha estivesse mentindo ou fabricando seus relatos?;

5 - O dr. Stevenson estava conduzindo suas pesquisas de maneira objetiva e razoável?;

6 - As evidências eram fortes o bastante para suscitar alguma outra possibilidade alternativa?

Eu não previ como seria afetado emocionalmente se, depois de considerar os trabalhos de Stevenson cuidadosamente, eu fosse obrigado a concluir que não havia uma explicação normal para tudo que as crianças estavam dizendo e fazendo. Por "explicação normal" eu quero dizer qualquer uma que exclua forças ou processos atualmente desconhecidos da ciência. Quando cheguei a essa conclusão, achei muito difícil aceitar. E ainda acho. O maior impacto das constatações em minha vida foi poder vislumbrar em que grau os seres humanos se enganam acreditando entender seu lugar no universo. Os rápidos avanços da ciência e tecnologia criam a impressão de que estamos nos aproximando de todos os mistérios do mundo. Minha experiência com Stevenson me fez confrontar o fato de que os mistérios do mundo são muito maiores do que aquilo que conhecemos. Se ninguém entende as bases da consciência, de onde ela vem ou mesmo qual é sua natureza (e NINGUÉM entende isso), por que devemos nos surpreender quando certas anomalias surgem em volta dela?

Como foi feito o acompanhamento dos trabalhos do dr. Stevenson?

Stevenson estudou esses casos como um detetive policial. Ele seguiu relatos iniciais até à fonte, entrevistou testemunhas em primeira mão, examinou e, em alguns casos, cruzou informações identificando testemunhas que pudessem corroborar ou discordar de um testemunho-chave. Ele confrontou testemunhos verbais com registros escritos sempre que possível, considerou razões prováveis para uma mentira, ou auto-ilusão, buscou caminhos normais através dos quais a criança poderia ter obtido conhecimento sobre a identidade de uma possível vida passada, buscou conexões ocultas entre a criança e sua família com a família da pessoa falecida. Não apenas isso: um colega de Stevenson aplicou testes psicológicos nas crianças que fizeram relatos sobre vidas passadas e, depois, comparou-os ao teste de crianças comuns. Notavelmente, não surgiu qualquer grau de patologia psicológica naquelas que falavam sobre existências anteriores. Elas se mostraram saudáveis, um pouco mais inteligentes e menos sugestionáveis do que a média. Seus professores as consideraram bem ajustadas, mas os pais não muito. É possível entender que os pais de uma criança que afirme não pertencer àquela determinada família tenham dificuldades para lidar com ela.

Você disse que chegou até as pesquisas do dr. lan Stevenson por meio de uma matéria sobre o dr. Brian Weiss. Em que, exatamente, diferem as pesquisas e resultados obtidos por um e por outro?

Os livros de Weiss falam sobre lembranças de supostas vidas passadas de adultos sob efeito da hipnose. Tais casos não possuem os fatos que tornaram os casos de Stevenson - lembranças espontâneas de crianças pequenas - mais convincentes. Por um lado, os casos de hipnose freqüentemente lidam com vidas em um passado distante, tornando quase impossível confrontá-los com a vida de qualquer pessoa historicamente verificável. Os detalhes na "memória" dos pacientes sob hipnose tendem a ser genéricos, do tipo que qualquer adulto poderia obter em livros de História ou filmes, e repetir como parte do exercício hipnótico. Afinal, pacientes sob hipnose são instruídos a relaxar e deixar sua imaginação assumir o controle. Nenhum dos casos de Weiss mostrou qualquer paciente transmitindo informações que não pudessem ter sido obtidas em livros ou filmes. Assim sendo, por que acreditar que tais pessoas estejam falando sobre vidas passadas verdadeiras e não apenas usando a imaginação para se colocar num cenário imaginado? As crianças de Stevenson, por outro lado, fornecem relatos específicos sobre um passado recente. Quando você tem casos em que crianças bem jovens fazem muitas afirmações específicas sobre nomes, lugares, datas e eventos que batem com a vida de uma pessoa recém-falecida e comprovadamente estranha à família daquela criança, isso não pode ser facilmente explicado.

A que você atribui a resistência da ciência para se aprofundar em qualquer pesquisa referente à reencarnação ou à sobrevivência do espírito após a morte?

Três problemas:

1 - Esse tipo de pesquisa não permite investigação laboratorial. O tipo de fenômeno - declarações espontâneas - não pode ser repetido de maneira programada, ou visto através de um microscópio. Tais casos só podem ser investigados como se faria com um crime, ou processo legal - com entrevistas, cruzando informações de várias testemunhas com evidências documentadas. Embora isso possa ser feito com bastante cuidado, alguém sempre pode descartar o caso como "evidência fantasiosa" e, portanto, não-confiável;

2 - Há uma total falta de evidência sobre qualquer mecanismo através do qual a reencarnação se tornaria possível. Stevenson de modo nenhum afirma poder detectar, com instrumentos objetivos, qualquer tipo de "alma" que estaria trazendo lembranças e atributos pessoais de um certo corpo físico, e tampouco aponta qualquer evidência de forças através das quais uma alma, se existir, possa se transferir de um corpo para outro;

3 - Há sempre um conservadorismo na ciência, uma tendência para não encarar com seriedade qualquer evidência que desafie o atual entendimento de como o mundo funciona. Infelizmente, com freqüência, isso se traduz como falta de vontade para até mesmo considerar tal evidência.

Muitos criticaram os casos de Stevenson sem nem ao menos se darem ao trabalho de examiná-los. Se isso acontecesse, essas pessoas descobririam que crianças de todas as partes do mundo estão fazendo relatos extraordinários. Deveria ser natural alguém desejar saber o que está fazendo com que elas digam tais coisas. Ninguém está afirmando que Stevenson descobriu a melhor maneira possível para examinar tais casos. Talvez exista um modo melhor. Eu sei que nada gratificaria mais o doutor do que alguém lhe dizer qual é.

Na Índia

Trinta e sete anos após iniciar suas pesquisas na índia, o dr. Stevenson voltou ao país em companhia de Tom Shroder para investigar o caso de uma menina de sete anos chamada Preeti. Quando foram à sua casa, o pai, Tek Ram, disse que assim que aprendera a falar, Preeti tinha afirmado para os irmãos: "Essa casa é sua, não é minha. Esses são os seus pais, não os meus". Depois dissera à irmã: "Você só tem um irmão, eu tenho quatro". Disse ainda que se chamava Sheila, e deu os nomes de seus "verdadeiros" pais, implorando para ser levada para casa, na cidade de Loa-Majra, onde Tek Ram e a esposa nunca tinham estado. Eles disseram para ela parar de falar bobagens e ignoraram o caso.

Mas, aos quatro anos, Preeti pediu ao vizinho, um leiteiro, que a levasse para a vila. O leiteiro repetiu a história da menina para uma mulher que havia nascido em Loa-Majra e perguntou se ela conhecia alguém com os nomes que a menina disse que seus pais tinham, e se eles tinham perdido uma garota chamada Sheila. A mulher respondeu que conhecia, e que a filha deles, Sheila, tinha sido morta, atropelada por um automóvel.

A história chegou até a vila e o pai da menina morta foi visitar Preeti. Segundo Tek Ram, ela reconheceu o homem e, mais tarde, quando foi até Loa-Majra, reconheceu outras pessoas.

Quando lhe perguntaram como tinha morrido, Preeti disse: "Caí do alto e morri". Quando lhe perguntaram como tinha ido parar naquele lugar, ela respondeu: "Estava sentada à beira do rio. Estava chorando. Não conseguia achar uma mamãe, então, vim para você". O que não batia com a fala de Preeti era o fato dela dizer que havia caído do alto e morrido, quando se sabia que Sheila tinha sido atropelada. Dias depois, Stevenson e Shroder puderam passar por Loa-Majra e o jornalista ficou sabendo que um relatório sobre a morte de Sheila dizia que ela tinha sido jogada a mais de três metros de altura. Outro detalhe que chamou a atenção é que, no acidente, Sheila tinha se machucado na coxa, e Preeti apresentava uma marca de nascença no mesmo local.

Como cientista responsável que é, o dr. Stevenson reconhece a possibilidade do caso ser explicado por outras teorias que não a reencarnação, mas salienta que, muitas vezes, as únicas evidências possíveis de serem coletadas são aquelas baseadas na memória das pessoas.

Esta matéria foi retirada do site do  IPPB.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

REENCARNAÇÃO E MEMÓRIA (Jorge Hessen)


Na máxima "nascer, morrer, renascer e progredir, incessantemente, tal é a lei", encontramos o mais arrazoado pensamento universal sobre o processo da evolução humana.

Historicamente, apesar de o Clero lutar contra a doutrina das múltiplas existências, principalmente a partir do II Concílio de Constantinopla, realizado em 525, convocado pelo Imperador Justiniano, que proibiu o estudo do tema; com a institucionalização do Papado em 607, pelo Imperador Focas; com a criação do Tribunal do "Santo Ofício" em 1231, para combater, exclusivamente, os Cátharos ou Albigenses, reencarnacionistas que viviam no sul da França; os dominicanos foram convocados, pelo então Papa Gregório IX, para dizimá-los e, com eles, a doutrina palingenésica, a despeito disso tudo, a reencarnação continua sendo o mais legítimo mecanismo de aplicação dos Códigos da Justiça Divina entre os homens.

Somente a pluralidade das existências explica as diferenças individuais, que, desde sempre, desafiam as mentes mais críticas e meticulosas dos homens de ciência.

Conhecendo e entendendo os mecanismos da reencarnação, tornam-se claras e explicáveis as intrincadas perquirições, que teimam em permanecer obscuras, ante os açodados argumentos daqueles que não se dão ao trabalho de observar os fatos que a comprovam, mesmo porque, contra as evidências não há o que argumentar. A exemplo disso, vemos crianças e jovens portando patrimônio moral e intelectivo que seriam impossíveis terem sido adquiridos em um período de tempo de apenas uma só existência física.

"Por que o espírito encarnado perde a lembrança do seu passado?" Indaga Kardec aos Espíritos, que o esclarecem: "O homem não pode e nem deve tudo saber; Deus o quer assim em sua sabedoria. Sem o véu que lhe cobre certas coisas, ficaria deslumbrado, como aquele que passa, sem transição, da obscuridade à luz. Pelo esquecimento do passado ele é mais ele - mesmo". (1)

Seja na confirmação de que João Batista era Elias, ou na inesquecível lição para o doutor Nicodemos, o Divino Mestre confirmou que só nascendo novamente compreenderemos as coisas de Deus. É a Lei da Evolução!

Na estrutura psicossomática, a memória tudo registra e, pelo mecanismo da criptomnésia, (2) são guardadas as conquistas da própria memória, conservando, momentaneamente apagadas, as lembranças de outras experiências reencarnatórias, o que não significa dizer que não se pode ter acesso a esses acervos de forma espontânea ou provocada.

Não está sendo em vão a grande contribuição científica de vários profissionais das áreas de medicina e psicologia, que publicam livros, relatando experiências de vidas passadas, que transcendem ao monolítico e conservador rito academicista, sem afrontarem os Códigos de Ética dos Conselhos Regionais.

Graças ao hipnotismo, várias contribuições criptóides foram catalogadas. Com as experiências de regressão da memória, finalmente, foi possível comprovar, cientificamente, a reencarnação.

O físico francês Patrick Drouot pesquisa esses assuntos com a autoridade de quem se formou na Universidade de Nancy e fez doutorado em física teórica pela conceituada Universidade de Colúmbia, em Nova Iorque, e, ao presidir o Instituto de Pesquisas Físicas e da Consciência, em Paris, já tem catalogado mais de cinco mil casos de regressão.

Erlandur Haraldsson, professor de psicologia da Universidade de Iceland, e vários pesquisadores psiquiatras americanos, revelaram, cientificamente, que a reencarnação é um fato consumado, graças aos processos de mergulho no armazenamento psíquico das vidas anteriores onde tudo está registrado.

Hellen Wambach, que já fez 4500 pessoas regredirem na memória, fez pesquisa com uma senhora de 43 anos, cega de nascença, que descreveu ambientes da antiga Roma na época em que era esposa de um soldado. Ela foi capaz de falar, com toda precisão, das cadeiras, mesa, cama, das expressões faciais dos que a rodeavam, das luzes e das cores. Aliás, todos esses detalhes foram, historicamente, devidamente comprovados, segundo afirmou o Dr. James Pareyko, professor de Filosofia da Universidade Estadual de Chicago. Pareyko atesta que tal tipo de percepção, numa pessoa que já nasceu sem enxergar, é inexplicável sob o ponto de vista médico.

Sem nos desviarmos para fazer um comentário sobre as teses Junguianas do "mágico" inconsciente coletivo, por onde uma pessoa poderia sintonizar com qualquer faixa desse mecanismo e receber todo tipo de impressão, passada ou presente, só para ilustrar essa improcedência teórica, atentemos para uma explicação que, no mínimo, parece uma fábula: - quando uma criança européia passou a falar chinês arcaico e a se recordar de uma vida passada, foi considerado, como explicação, o fato de a sua mãe, durante a gestação, ter vivido próxima a uma lavanderia chinesa e "provavelmente", ter captado, pelo seu inconsciente coletivo, todo aquele conhecimento da língua asiática. Acreditem se quiserem!

"Em resumo, o Espiritismo é hoje um fato consumado; ele já conquistou o seu lugar na opinião pública e entre as doutrinas filosóficas; é pois preciso que aqueles, a quem ele não convém, se resignem a vê-lo ao seu lado, restando-lhes a liberdade de recusá-lo". (3)

FONTES:
1 - Kardec ,Allan. O livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB , 2001, Perg. 392
2 - Criptomnésia sf (cripto+mnese+ia1) = Memória subconsciente. Disponível no site acesso em 27-05-08

3 - Kardec ,Allan. O que é o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 39ª Edição, pg.122

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

SER  ESPÍRITA

É comum ver pessoas abraçando a causa espirita com certo entusiasmo, outras já estão na doutrina há muito tempo, continuam entusiasmadas, mas será que podemos dizer que são espíritas de fato?

O que é ser Espírita?

Analisemos o trecho do Espírito Simeão no E.S.E. do capítulo X - item 14. "(...) Se vós vos dizeis espíritas, sede-o pois; olvidai o mal que se vos pôde fazer e não penseis senão uma coisa: o bem que podeis realizar.

Continuando nossa analise em mensagem trazida pelo espírito Albino através das mãos de Chico para nos ajudar a chegarmos à conclusão de como SER ESPÍRITA.

SINAL ESPÍRITA (Médium: Chico Xavier Autor: Albino Teixeira)

Quando a pessoa entrou no Espiritismo, é fácil verificar: basta perquirir um fichário ou escutar uma indicação. Entretanto, a fim de positivar se o Espiritismo entrou na pessoa, é indispensável que a própria criatura faça menção disso, através de manifestações evidentes. Vejamos dez das inequívocas expressões do sinal espírita na individualidade, que sempre se representa pelo designativo "mais", nos domínios do bem: 
mais serviço espontâneo e desinteressado aos semelhantes;
mais empenho no estudo; mais noção de responsabilidade; 
mais zelo na obrigação; mais respeito pelos problemas dos outros; 
mais devotamento à verdade; mais cultivo de compaixão; 
mais equilíbrio nas atitudes; mais brandura na conversa; 
mais exercício de paciência. 
Ser espírita de nome, perante o mundo, decerto que já significa trazer legenda honrosa e encorajadora na personalidade, mas, para que a criatura seja espírita, à frente dos Bons Espíritos, é necessário apresentar o sinal espírita da renovação interior, que, ante a Vida Maior, tem a importância que se confere na Terra às prerrogativas de um passaporte ou ao valor de uma certidão.

domingo, 27 de outubro de 2013

Mediunidade


“Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. (...) Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou meno
s, médiuns. (Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, capítulo XIV).

Assim, conforme asseverou o Codificador, todos mantemos contato com o Mundo Espiritual, pois vivemos em incessante intercâmbio com o mesmo. Desta forma, ao fazermos uma oração recebemos o amparo da espiritualidade maior, do nosso protetor/mentor espiritual, entramos em contato com as usinas de força da Vida Maior. Por conseguinte, estamos exercendo a mediunidade, haja vista que recebemos a influência dos espíritos superiores. E, pela questão da sintonia vibratória, isso também vale para os espíritos menos elevados, pois quando alguém tem pensamentos inferiores, espíritos que se afinam com estes são atraídos. "O pensamento é o laço que nos une aos Espíritos, e pelo pensamento nós atraímos os que simpatizam com as nossas idéias e inclinações". Allan Kardec. Entretanto, usualmente só se chamam de médiuns “aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva”. (Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, capítulo IX)

Posto isso, os principais tipos de mediunidade são:

.de efeitos físicos: este tipo pode ser dividido em dois grupos, ou seja, os facultativos - que têm consciência dos fenômenos por eles produzidos - e os involuntários ou naturais, que são inconscientes de suas faculdades, mas são usados pelos espíritos para promoverem manifestações fenomênicas sem que o saibam.

.dos médiuns sensitivos ou impressionáveis: são pessoas suscetíveis de sentirem a presença dos espíritos por uma vaga impressão. Esta faculdade se desenvolve pelo hábito e pode adquirir tal sutileza, que aquele que a possui reconhece, pela impressão que experimenta, não só a natureza, boa ou má, do espírito que se aproxima, mas até a sua individualidade.

.médiuns audientes ou clariaudientes: neste caso os médiuns ouvem a voz dos espíritos. O fenômeno manifesta-se algumas vezes como uma voz interior, que se faz ouvir no foro íntimo. Outras vezes, dá-se como uma voz exterior, clara e distinta, semelhante a de uma pessoa viva. Os médiuns audientes podem, assim, estabelecer conversação com os espíritos.

.médiuns videntes ou clarividentes: são dotados da faculdade de ver os espíritos. Cabe salientar que o médium não vê com os olhos, mas é a alma quem vê e por isso é que eles tanto vêem com os olhos fechados, como com os olhos abertos.

.médiuns psicofônicos: neste tipo o médium serve como um instrumento pelo qual o espírito se comunica pela fala; assim, há a acoplação do perispírito do espírito comunicante no perispírito do médium, permitindo, assim, que o espírito utilize o aparelho fonador do médium para fazer uso da fala.

.médiuns de cura: Este gênero de mediunidade consiste, principalmente, no dom que possuem certas pessoas de curar pelo simples toque, pelo olhar, mesmo por um gesto, sem o concurso de qualquer medicação. Dir-se-á, sem dúvida, que isso mais não é do que magnetismo. Evidentemente, o fluido magnético desempenha aí importante papel. Porém, quem examina cuidadosamente o fenômeno sem dificuldade reconhece que há mais alguma coisa. A magnetização ordinária é um verdadeiro tratamento seguido, regular e metódico. No caso que apreciamos, as coisas se passam de modo inteiramente diverso. Todos os magnetizadores são mais ou menos aptos a curar, desde que saibam conduzir-se convenientemente, ao passo que nos médiuns curadores a faculdade é espontânea e alguns até a possuem sem jamais terem ouvido falar de magnetismo. A intervenção de uma potência oculta, que é o que constitui a mediunidade, se faz manifesta, em certas circunstâncias, sobretudo se considerarmos que a maioria das pessoas que podem, com razão, ser qualificadas de médiuns curadores recorre à prece, que é uma verdadeira evocação.

.médiuns mecânicos: Quem examinar certos efeitos que se produzem nos movimentos da mesa, da cesta, ou da prancheta que escreve não poderá duvidar de uma ação diretamente exercida pelo Espírito sobre esses objetos. A cesta se agita por vezes com tanta violência, que escapa das mãos do médium e não raro se dirige a certas pessoas da assistência para nelas bater. Outras vezes, seus movimentos dão mostra de um sentimento afetuoso. O mesmo ocorre quando o lápis está colocado na mão do médium; freqüentemente é atirado longe com força, ou, então, a mão, bem como a cesta, se agitam convulsivamente e batem na mesa de modo colérico, ainda quando o médium está possuído da maior calma e se admira de não ser senhor de si Digamos, de passagem, que tais efeitos demonstram sempre a presença de Espíritos imperfeitos; os Espíritos superiores são constantemente calmos, dignos e benévolos; se não são escutados convenientemente, retiram-se e outros lhes tomam o lugar. Pode, pois, o Espírito exprimir diretamente suas idéias, quer movimentando um objeto a que a mão do médium serve de simples ponto de apoio, quer acionando a própria mão.

Quando atua diretamente sobre a mão, o Espírito lhe dá uma impulsão de todo independente da vontade deste último. Ela se move sem interrupção e sem embargo do médium, enquanto o Espírito tem alguma coisa que dizer, e pára, assim ele acaba.

Nesta circunstância, o que caracteriza o fenômeno é que o médium não tem a menor consciência do que escreve. Quando se dá, no caso, a inconsciência absoluta; têm-se os médiuns chamados passivos ou mecânicos. E preciosa esta faculdade, por não permitir dúvida alguma sobre a independência do pensamento daquele que escreve.

.médiuns intuitivos: 180. A transmissão do pensamento também se dá por meio do Espírito do médium, ou, melhor, de sua alma, pois que por este nome designamos o Espírito encarnado. O Espírito livre, neste caso, não atua sobre a mão, para fazê-la escrever; não a toma, não a guia. Atua sobre a alma, com a qual se identifica. A alma, sob esse impulso, dirige a mão e esta dirige o lápis. Notemos aqui uma coisa importante: é que o Espírito livre não se substitui à alma, visto que não a pode deslocar. Domina-a, mau grado seu, e lhe imprime a sua vontade. Em tal circunstância, o papel da alma não é o de inteira passividade; ela recebe o pensamento do Espírito livre e o transmite. Nessa situação, o médium tem consciência do que escreve, embora não exprima o seu próprio pensamento. E o que se chama médium intuitivo.

Mas, sendo assim, dir-se-á, nada prova seja um Espírito estranho quem escreve e não o do médium. Efetivamente, a distinção é às vezes difícil de fazer-se, porém, pode acontecer que isso pouca importância apresente. Todavia, é possível reconhecer-se o pensamento sugerido, por não ser nunca preconcebido; nasce à medida que a escrita vai sendo traçada e, amiúde, é contrário à idéia que antecipadamente se formara. Pode mesmo estar fora dos limites dos conhecimentos e capacidades do médium.

O papel do médium mecânico é o de uma máquina; o médium intuitivo age como o faria um intérprete. Este, de fato, para transmitir o pensamento, precisa compreendê-lo, apropriar-se dele, de certo modo, para traduzi-lo fielmente e, no entanto, esse pensamento não é seu, apenas lhe atravessa o cérebro. Tal precisamente o papel do médium intuitivo.

.médiuns semimecânicos: 181. No médium puramente mecânico, o movimento da mão independe da vontade; no médium intuitivo, o movimento é voluntário e facultativo. O médium semimecânico participa de ambos esses gêneros. Sente que à sua mão uma impulsão é dada, mau grado seu, mas, ao mesmo tempo, tem consciência do que escreve, à medida que as palavras se formam. No primeiro o pensamento vem depois do ato da escrita; no segundo, precede-o; no terceiro, acompanha-o. Estes últimos médiuns são os mais numerosos

.médiuns inspirados: 182. Todo aquele que, tanto no estado normal, como no de êxtase, recebe, pelo pensamento, comunicações estranhas às suas idéias preconcebidas, pode ser incluído na categoria dos médiuns inspirados. Estes, como se vê, formam uma variedade da mediunidade intuitiva, com a diferença de que a intervenção de uma força oculta é aí muito menos sensível, por isso que, ao inspirado, ainda é mais difícil distinguir o pensamento próprio do que lhe é sugerido. A espontaneidade é o que, sobretudo, caracteriza o pensamento deste último gênero. A inspiração nos vem dos Espíritos que nos influenciam para o bem, ou para o mal, porém, procede, principalmente, dos que querem o nosso bem e cujos conselhos muito amiúde cometemos o erro de não seguir. Ela se aplica, em todas as circunstâncias da vida, às resoluções que devamos tomar. Sob esse aspecto, pode dizer-se que todos são médiuns, porquanto não há quem não tenha seus Espíritos protetores e familiares, a se esforçarem por sugerir aos protegidos salutares idéias. Se todos estivessem bem compenetrados desta verdade, ninguém deixaria de recorrer com freqüência à inspiração do seu anjo de guarda, nos momentos em que se não sabe o que dizer, ou fazer. Que cada um, pois, o invoque com fervor e confiança, em caso de necessidade, e muito freqüentemente se admirará das idéias que lhe surgem como por encanto, quer se trate de uma resolução a tomar, quer de alguma coisa a compor. Se nenhuma idéia surge, é que é preciso esperar. A prova de que a idéia que sobrevém é estranha à pessoa de quem se trate esta em que, se tal idéia lhe existira na mente, essa pessoa seria senhora de, a qualquer momento, utilizá-la e não haveria razão para que ela se não manifestasse à vontade. Quem não é cego nada mais precisa fazer do que abrir os olhos, para ver quando quiser. Do mesmo modo, aquele que possui idéias próprias tem-nas sempre à disposição. Se elas não lhes vêm quando quer, é que está obrigado a buscá-las algures, que não no seu intimo.

Também se podem incluir nesta categoria as pessoas que, sem serem dotadas de inteligência fora do comum e sem saírem do estado normal, têm relâmpagos de uma lucidez intelectual que lhes dá momentaneamente desabitual facilidade de concepção e de elocução e, em certos casos, o pressentimento de coisas futuras. Nesses momentos, que com acerto se chamam de inspiração, as idéias abundam, sob um impulso involuntário e quase febril. Parece que uma inteligência superior nos vem ajudar e que o nosso espírito se desembaraçou de um fardo.

183. Os homens de gênio, de todas as espécies, artistas, sábios, literatos, são sem dúvida Espíritos adiantados, capazes de compreender por si mesmos e de conceber grandes coisas. Ora, precisamente porque os julgam capazes, é que os Espíritos, quando querem executar certos trabalhos, lhes sugerem as idéias necessárias e assim é que eles, as mais das vezes, são médiuns sem o saberem. Têm, no entanto, vaga intuição de uma assistência estranha, visto que todo aquele que apela para a inspiração, mais não faz do que uma evocação. Se não esperasse ser atendido, por que exclamaria, tão freqüentemente: meu bom gênio, vem em meu auxílio?

As respostas seguintes confirmam esta asserção:

a) Qual a causa primária da inspiração?
"O Espírito que se comunica pelo pensamento."

b) A revelação das grandes coisas não é que constitui o objeto único da inspiração?
"Não, a inspiração se verifica, muitas vezes, com relação às mais comuns circunstâncias da vida. Por exemplo, queres ir a alguma parte: uma voz secreta te diz que não o faças, porque correrás perigo; ou, então, te diz que faças uma coisa em que não pensavas. É a inspiração. Poucas pessoas há que não tenham sido mais ou menos inspiradas em certos momentos."

c) Um autor, um pintor, por exemplo, poderiam, nos momentos de inspiração, ser considerados médiuns?
"Sim, porquanto, nesses momentos, a alma se lhes torna mais livre e como que desprendida da matéria; recobra uma parte das suas faculdades de Espírito e recebe mais facilmente as comunicações dos outros Espíritos que a inspiram."
.médiuns de pressentimentos: O pressentimento é uma intuição vaga das coisas futuras. Algumas pessoas têm essa faculdade mais ou menos desenvolvida. Pode ser devida a uma espécie de dupla vista, que lhes permite entrever as conseqüências das coisas atuais e a filiação dos acontecimentos. Mas, muitas vezes, também é resultado de comunicações ocultas e, sobretudo neste caso, é que se pode dar aos que dela são dotados o nome de médiuns de pressentimentos, que constituem uma variedade dos médiuns inspirados.
"Mediunidade espírita, porém, é a que faculta o intercâmbio consciente, responsável, entre o mundo físico e o espiritual, facultando a sublimação das provas pela superação da dor e pela renúncia às paixões, ao mesmo tempo abrindo à criatura os horizontes luminosos para a libertação total, mediante o serviço aos companheiros do caminho humano, gerando amor com os instrumentos da caridade redentora de que ninguém pode prescindir". Joanna de Ângelis (espírito), livro Oferenda - pág. 130/131 -, psicografado por Divaldo Franco
. médiuns psicógrafos: Transmitem as comunicações dos espíritos através da escrita. São subdivididos em mecânicos, semimecânicos e intuitivos. Os mecânicos não têm consciência do que escrevem e a influência do pensamento do médium na comunicação é quase nenhuma. Como há um grande domínio da entidade sobre a faculdade mediúnica a idéia do espírito comunicante se expressa com maior clareza. Há casos em que o médium psicografa mensagens complexas conversando com outras pessoas, totalmente distraído do que escreve. Já nos semimecânicos, a influência da entidade comunicante sobre as faculdades mediúnicas não é tão intensa, pois a comunicação sofre uma influência do pensamento do médium. Isso ocorre com a maioria dos médiuns psicógrafos. Com relação os intuitivos, estes recebem a idéia do espírito comunicante e a interpretam, desenvolvendo-a com os recursos de suas próprias possibilidades morais e intelectuais.

“Mediunidade espírita, porém, é a que faculta o intercâmbio consciente, responsável, entre o mundo físico e o espiritual, facultando a sublimação das provas pela superação da dor e pela renúncia às paixões, ao mesmo tempo abrindo à criatura os horizontes luminosos para a libertação total, mediante o serviço aos companheiros do caminho humano, gerando amor com os instrumentos da caridade redentora de que ninguém pode prescindir”. Joanna de Ângelis (espírito), livro Oferenda – pág. 130/131 -, psicografado por Divaldo Franco

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Homenagem ao Wallace Leal Rodrigues por Rosinha R. Toledo.

    Mocidade Espírita de Araraquara – Uma pagina de saudades com nosso querido Wallace.



  Recuando no tempo (década de 40), recordo-me do Wallace descendo a avenida 15 de novembro, juntamente com Sra. Ninira, sua irmã e mais algumas pessoas.
  A eles juntávamos eu, minha mãe e mais alguns irmãos que vínhamos da Avenida D. Pedro. O destino era, irmos ao Centro Espirita situado mais abaixo naquela avenida. Àquele tempo, os trabalhos mediúnicos eram realizados de portas abertas com acesso a todos que ali quisessem entrar.
            Esse foi o meu 1º contato com o Wallace. Passado algum tempo, a vida encarregava-se de nos afastar, raramente o via pela cidade, embora ouvisse sempre referências elogiosas a seu respeito no campo das realizações culturais e filantrópicas.
            Já em 18/07/1948 quando da instalação do I Congresso de Mocidade Espirita do Brasil no Teatro João Caetano – SP, de Araraquara se fizeram representar Dr. Ayrton de Toledo e Wallace L. Rodrigues, tamanho o seu engajamento no movimento espirita.
            Tornei-me espirita lá pelos idos de 1949, mais precisamente em 10/09 e fui muito bem recebida na recém-nascente Mocidade Espirita.
            Formara-se um grupo de jovens que unidos, definiriam as metas norteadas do movimento espirita em Araraquara nos setores da Evangelização Infantil. Mocidade e Centros Espiritas, igualmente sendo responsáveis pela Fundação da União Municipal Espirita (U.M.E.).
            Embora de formação espirita desde a infância, somente lá pelos anos de 1950, pudemos contar com a presença e participação desse querido companheiro Wallace na Mocidade à qual imprimiu grande dinamismo. Sua interferência, aliada à ajuda e entusiasmo de todos, a Mocidade pode contar com a presença ilustres de alguns cientistas, filósofos, escritores de renomes nacionais e internacionais. Como exemplo citaríamos entre outros, Pietro Ubaldi autor da monumental obra “ A grande síntese” além do jovem e promissor Divaldo Pereira Franco e o deputado Campos Vergal.
            Sua participação na mocidade foi multifacetária, nos campos da cultura, das artes, do lazer e estudos com pesquisa e investigações.
            Em 1951 os jovens reunidos decidiram sobre a importância da criação de um órgão de divulgação de suas atividades e dos postulados da Doutrina Espirita. E foi, portanto lançado um pequeno periódico ao qual deram o nome de Folha Juventina.  No 1º. Numero na capa, logo abaixo, Wallace escreve:
            “Não tenho queda para reportagens. Para crônicas, sim! Acho apaixonante escrever para as gerações que virão. Escrever para homens e mulheres do meu tempo, acontecimentos e iniciativas, experiências a frustações. Sei que um dia, a coletividade desta “Toca do Sol” será toda espirita. Nesse dia, muitos desejarão saber como cresceu a árvore Evangelho Kardeciana nesta terra. “A Folha Juventina” contará”. (Palavras proféticas)
            Ficaríamos aqui escrevendo paginas e paginas sobre a importante participação desse querido companheiro de ideal, que fez nascer entre Ele e nós, já amigos, uma grande camaradagem cimentada na amizade verdadeira e respeito.
            Aos domingos costumávamos passar o dia praticamente juntos, desde as reuniões doutrinárias matinais, seguidas de passeios à tarde e culminando nas sessões de cinema.
            Que dias inesquecíveis aqueles! Creio que para nós e para Ele, foi um tempo bastante proveitoso e feliz.
            O meu relacionamento pessoal com Wallace estreitou-se sobremaneira, devido aos constantes conversas, trocas de ideias e impressões, ou talvez por razões que se perdem na esteira do tempo. Por ter Ele um espirito muito investigativo e incomodar-me com aquilo que não suscita respostas às minhas duvidas e curiosidade, assediava o querido amigo Wallace com muitas indagações.
            Certa vez, Wallace disse-me que havia terminado um livro, mas que estava com duvidas quanto ao nome. Pediu-me se eu aceitaria opinar sobre o assunto, o que já fora solicitado a algumas pessoas. Naturalmente aceitei, mas tive que lê-lo. Estava ainda no original, com algumas correções a serem feitas. Os nomes propostos eram: “O que veio por ultimo” ou “Esquina de pedra”.
            O assunto versava sobre o nascimento do cristianismo e posteriormente sua adulteração selada no Concilio de Niceia com a nomenclatura de Catolicismo de caráter mais politico que religioso. 
            Como houve consenso nas opiniões solicitadas, sagrou-se o nome “  Esquina de Pedra”.
            Intrigada com a qualidade e diversidade de informações e situações de certos detalhes apresentados no livro, quis saber Dele algumas explicações.
            - Como, onde, quem lhe fornecera tão vasto material Wallace? E Ele responde.
            - Rosinha, eu estava e me sentia lá.
            Posteriormente a publicação do livro, Ele incluiu no final do mesmo, uma nota da qual o ultimo paragrafo passo a transcrever.
            “Este livro, escrito sob forte vibração espiritual foi enriquecido por esses informes (da nota) quando já havia sido terminado. Acreditamos firmemente que todos os acontecimento e personagens presentes são reais e que os acontecimentos foram apenas suavizados, uma vez que nos sentimos dentro das cenas ao escrevê-lo. Varias das personalidades retratadas já foram detectadas por nossa sensibilidade. Todavia, isto não quer dizer absolutamente que A Esquina de Pedra, seja um livro psicografado.
            Ainda nesta semana conversando com Carlos Alberto ex-secretário e amigo do Wallace, para poder escrever esta crônica, não só confirmou a veracidade das minhas informações, como acrescentou que o nosso amigo em comum, assegurava-lhe que tinha a faculdade dos desdobramentos constantes, narrando-lhe sobre algumas vidas que intuíra ter.  Em  relação ao livro “A ESQUINA DE PEDRA , garantiu-lhe ter sido um soldado romano e testemunha das grandes perseguições aos cristãos da época.
            Isto me tranquilizou quanto à autenticidade das minhas afirmativas, já confirmada também por outros amigos que conviveram conosco na Mocidade Espirita.
            Lá pela década de 70, encontramo-nos e numa conversa usual, Ele falou-me que estava esperando umas copias que viriam de Londres e que tratavam das experiências de Sir Willian Crooks, um dos maiores sábios da época sobre materializações.
            - E como você obteve esse material? Perguntei curiosa.
            - Talvez movido por forte interesse pelo assunto, desdobrei-me e fui até Londres constatando que aquele precioso acervo estava à salvo. Respondeu Wallace
            Após a publicação do livro lê-se no prefacio:
            “O trabalho foi árduo. A nosso favor tínhamos apenas as antigas coleções de órgãos espíritas dos arquivos schutelianos, e, inesperadamente, a descoberta de que os bombardeios de Londres não tinham destruído de todo as chapas fotográficas que Mr. Harrison, editor do "The Spirítualist" e o próprio Sir William Crookes haviam batido. Obter cópias foi um trabalho de obstinação.”
            Eu estava no Colégio Progresso fazendo um curso complementar e o professor de Pedagogia pediu-nos um trabalho sobre um pedagogo famoso. Sem duvidas escolhi Pestalozzi, pois não há apenas um simples elo sentimental casual entre este o pedagogo e Kardec, ambos discípulos do mesmo Mestre que a todos nos inspira, Jesus.
            Sabia que o Wallace estava participando de um concurso à nível nacional, sobre esse famoso educador. Solicitei-lhe algumas informações a respeito, e Ele atencioso como sempre, emprestou-me o original do seu trabalho. Até hoje guardo com carinho os apontamentos que completaram satisfatoriamente o meu trabalho e fiquei muito feliz em saber que Ele obteve a consagração com o 1º lugar, merecidamente.
            Curiosa como sou, nesse papo de como, quem, quando, Ele informou-me.
            - Eu me via junto à Pestalozzi às margens do Lago de Genebra, conversando amigavelmente. E dessa forma foram obtidas certas particularidades e informações. ( Ele tinha facilidade no processo de desdobramento como já dissemos anteriormente)
            Outro episodio pitoresco ocorrido que Ele frequentemente nós narrava.
            -Sabe Rosinha, eu me vejo numa bela carruagem onde estão sentados ao meio Napoleão Bonaparte, ladeado por Madame de Stael (romancista e ensaista francesa que incorporou como poucas mulheres o espírito do Iluminismo francês) e a mulher mais linda da França.
            Empolgado e envaidecido Ele diria:
            - Estou entre uma das maiores inteligência e de mais exuberante beleza da França.
            Ao que eu lhe respondia:
            - Infelizmente não posso dizer o mesmo!
            Notava que Ele sentia um grande prazer ao contar-me esse episodio. São conhecidas as diferenças entre Napoleão e Madame de Stael, daí o sorriso como uma pequena vingança. Isto porque Wallace sentia fortes indícios de ter sido a famosa escritora.
            Passaram-se alguns anos e lá pela década de 80, soube que Wallace se encontrava doente. Naquela época eu era Coordenadora da Mocidade Espirita da Obreiros do Bem. Então preocupada com as condições de sua saúde e igualmente saudosa, achei oportuno levar o presidente da Mocidade o Sr. Braz a conhecê-lo e sugerindo-lhe que pedisse a permissão para uma entrevista a respeito de sua biografia.
            Telefonei-lhe sobre minha intenção, pois Ele já estava restrito quanto às visitas. Felizmente anuiu como sempre fazia quando solicitava-lhe algo. Marcamos dia e hora. Fomos recebidos com cortesia e quanto ao objetivo que ali nos trouxera além da visita, argumentou ser melhor aproveitar aquele encontro com um papo mais agradável e descontraído e que ele mesmo escreveria sua biografia entregando-a assim que tivesse pronta. E assim aconteceu.
            Depois de algum tempo de conversa agradável, Wallace apontou-me um baú num canto, desafiando-me a dizer o que se encontrava lá.
            - Olha Wallace, vindo de você, poderá ser até as Tabuas da Lei! Sorri.
            - Não Rosinha, mas é algo de suma importância. Trata-se de um livro de Mlle Clarie Baumard, cuja tradução e prefacio redigido por Ela demonstrou ser de grande valor histórico. Essa senhora eficiente secretária e também grande amiga de Leon Denis e revela que no decorrer dos anos em que exerceu suas funções junto ao escritor já cego, redigiu um Diário, ao qual não recorreu para a leitura de sua obra. Deixava para os mais capazes e admiradores, trazerem ao mundo, a síntese de sua extraordinária obra e impar personalidade.
            Há dois prefácios no livro: um explicativo do Wallace, mas extenso, fornecendo-nos informações valiosas sobre a vida de homens que preludiaram o advento da 3ª. Revelação. Coloca o Espiritismo num contexto histórico tornando mais compreensível o seu surgimento do Luzeiro prometido pelo Mestre Jesus. O outro prefacio de Sir Arthur Conan Doyle também enaltece a figura desse notável Apostolo.
            Achei o Wallace inconformado pela autora não querer valer-se de seu Diario. Dizia Ele:
            - Em que mãos estariam agora o precioso documento (Diário)?
            Desapontado escreveria ao lado de seu prefacio – “O que o livro de Clarie Naumard não contou....”
            Conhecendo-o bem,  estranhei Ele não ter conseguido localizar o paradeiro de tal preciosidade.
            Estaria o nosso Sherlock Holmes do espiritismo perdendo o faro?
            No dia do lançamento do livro “Leon Denis na intimidade”, realizado na banca espirita que fica em um das praças centrais de Araraquara, eu me ofereci para ir busca-lo de carro, pois suas condições físicas não o permitiam ir à pé. Assim procedi e trazendo-o após o termino com meu exemplar debaixo do braço,  devidamente autografado com dedicatória.
            “Para minha queridíssima Rosinha, com o beijo e o coração “Wallace
            Guardo-o com muito carinho e saudades.
            Finalizando, arrojo-me o direito de tecer algumas impressões a respeito do meu caro amigo Wallace, embora sem as suas condições culturais de pensar e se expressar que tanta admiração causava a todos. Por isso vou me utilizar de outro instrumento, o coração, que através de palavras simples e singelas, chegue até o seu, esse órgão da fé e da esperança e com o qual divisamos os verdadeiros amigos.
            Dando asas à imaginação, como numa comparação analógica, sempre via o Wallace assimilando-se a um pássaro multicor de exuberante e linda plumagem, preso numa gaiola dourada; por vezes feliz e saltitante diante dos olhares maravilhados de sua beleza e maravilhoso canto; outras vezes, entristecido, pois apesar da admiração causada e sabendo-se ser um ornamento raro, sofria com os grilhões da prisão e por atitudes intempestivas de crianças, jovens e até de alguns adultos totalmente distanciados do respeito, da sensibilidade e, sobretudo do amor.
            A dualidade de sentimentos nos surpreende a cada passo. Quando merecer disfrutar a felicidade completa? Nos bem sabemos; quando a conquistarmos e ela exige esforço, luta, desapego, equilíbrio, enfim, evolução espiritual. Mas ainda somos seres humanos fragilizados principalmente nas nossas emoções.
            Ah! Se tivéssemos o condão de perscrutar a alma nos seus escaninhos mais profundos. Quem poderá prever as lagrimas de alguém, mesmo estando em situação privilegiada?
            Maria Dolores, com sua extrema sensibilidade, através da psicografia de Chico Xavier, nos brindou  com uma verdadeira perola de sabedoria – O poema “Erros de Amor” do qual extrai uma estrofe que nos leva à reflexão.
            “Entre o afeto que sonha e o dever que governa,
            Quando conflito surge e quanto anseios vem!
            Quando a dor de ser só escurece o caminho
            Ninguém pode prever as lagrima de alguém...”

            O nosso belo pássaro, inconformado com seu destino, debatia-se, machucando as asas nas grades da gaiola na inútil tentativa de quebra-la. Queria voar, ver o sol frente a frente, contornar as estrelas, sentir mais próximo o suave perfume das flores e o êxtase do amor; desfrutar do direito de não ser caçado, perseguido, aprisionado, discriminado, enfim, viver intensamente a sua sensibilidade.
            A ave mais ferida por expectativas e sonhos, não realizados,  torna-se prisioneiro de si mesmo e contrapondo-se à expressiva contribuição ofertada para a valorização das coisas enriquecedoras, continuou machucando-se, machucando-se sem ter realizado a plenitude de vida almejada.
            Um dia encontraram-no muito ferido e morto.
            Os que passavam diziam:
            - Olhem o pássaro de impar beleza, que tanto enriquecia nossas vidas, que alegria e felicidade ele nos proporcionava. Que grande perda, sentiremos muitas saudades.
            Alguém retrucou – Deus que é  justiça e misericórdia,  não deveria permitir essa morte tão triste! Disse outro:
            - Pois foram exatamente esse tributos Divinos que proporcionara-lhe condições para a devida reabilitação e reduzindo sua liberdade que tantos perigos oportunizam. Deus protegeu-o meu caro, dos outros e dele mesmo. Porventura não somos todos igualmente prisioneiros dos corpos que merecemos? 
            Que você querido amigo Wallace, capte através da acústica do seu sensível espirito, hoje livre, a verdadeira intensão dessa pequena e sincera oferenda, de sua amiga Rosinha.

Rosinha de Toledo